- Agricultores do Sudeste Asiático enfrentam falta de fertilizantes e aumento de preço; em Thailândia, o saco pode passar de 1.100 baht, chegando a 1.200 baht, levando alguns a não semear.
- A crise é causada pela guerra que fechou o Estreito de Hormuz, interrompendo cerca de um terço do comércio mundial de fertilizantes por via marítima.
- A China, maior produtor global, proibiu exportações de vários tipos de fertilizante desde março; entre metade e 80% dessas exportações estão restritas.
- Vietnã, Filipinas e Tailândia dependem fortemente de fertilizantes chineses, o que ameaça a produção de arroz na região, segundo análises de especialistas.
- O principal efeito deverá aparecer no fim do ano, com safras menores ou ausentes; a insegurança alimentar na região pode aumentar, em meio a projeções de impactos globais.
O plantio começou na Ásia do Sudeste, mas a fertilização não chegou. Um agricultor tailandês, Suchart Piamsomboon, de 60 anos, não recebeu adubo e teme não obter safra. O custo do adubo subiu acima de 1.100 baht por saco, ante 800–900 há um mês.
Piamsomboon não é caso isolado. Agricultores na bacia de arroz tailandesa e no delta do Mekong avaliam a viabilidade de plantar diante da escassez. A decisão de cada safra pode influenciar a produção global de arroz no fim do ano.
Desdobramentos recentes
O conflito entre EUA e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, resultou no fechamento do Teatro de Hormuz, via estratégica para o comércio de fertilizantes. Cerca de um terço do comércio mundial de fertilizantes depende dessa rota marítima.
Como resultado, o preço da ureia subiu mais de 40% nas semanas seguintes. A China, maior produtora, baniu exportações de vários tipos de fertilizantes em março, intensificando restrições desde 2021.
Dependência regional da China
Entre 50% e 80% das exportações chinesas de fertilizantes estão limitadas, segundo análise da Reuters a partir de dados alfandegários. Países da Ásia-Pacífico, incluindo Tailândia, Indonésia e Vietnã, são fortemente impactados.
Um exportador da província de Shandong informou que recebeu a ordem de parar envios, com contratos firmados para países da região antes da proibição. A produção de fertilizantes de alta qualidade ficou suspensa, restando apenas ammonium sulfate.
Efeitos sobre o abastecimento
Especialistas destacam que a combinação da proibição de exportação da China e o fechamento de Hormuz tende a abalar o mercado global de fertilizantes e a segurança alimentar. A China sustenta a fabricação de nitrogênio, essencial para fertilizantes nitrogenados.
Na Ásia, Vietnã e Filipinas dependem fortemente da China para fertilizantes e arroz. Em 2026, mais da metade das importações de fertilizante do Vietnã vieram da China no primeiro trimestre. A Filipinas depende da China para 75% dos fertilizantes.
Impactos esperados
Analistas apontam que os efeitos não aparecem de imediato nos preços, mas devem ficar visíveis no fim deste ano, com safras plantadas na primavera registrando rendimentos menores. A Organização das Nações Unidas projeta risco de fome aguda para milhões em 2026.
Pratheuang Piamsomboon, agricultor tailandês, ressalta o peso da crise. Em Bangkok, ele descreve a dificuldade de manter a produção diante da escassez de adubo e dos custos elevados, evidenciando o dilema de muitos agricultores na região.
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