- O custo de enviar parte da ajuda ao Sudão dobrou, passando de US$ 927 mil para US$ 1,87 milhão, em meio a guerra com o Irã e a elevação de custos logísticos.
- Interrupções no transporte marítimo no Estreito de Ormuz, congestionamento de portos, maiores preços de combustível e prêmios de seguro dificultam a entrega de assistência, especialmente na África.
- Navios que saíam de Dubai pelo Estreito de Ormuz estão sendo substituídos por embarcações que contornam o Cabo da Boa Esperança, acrescentando até 25 dias ao tempo de entrega.
- A dependência maior de rotas terrestres aumenta a escassez de caminhões e os custos de transporte, elevando atrasos para países como Etiópia, República Democrática do Congo e Sudão do Sul.
- A Acnur enfrenta restrições de financiamento, com apelo de US$ 8,5 bilhões para 135 milhões de refugiados e deslocados apenas 23% financiado, o que reduz a capacidade de atender a população necessitada.
O aumento das interrupções no transporte marítimo em rota ao Golfo e o congelamento de custos estão dificultando a entrega de ajuda humanitária ao Sudão, onde ocorre a maior crise de deslocamento do mundo. Segundo a Acnur, as mudanças afetam também países da África, com impactos diretos na assistência.
A agência da ONU informou que o custo de enviar parte da ajuda ao Sudão quase dobrou: de 927 mil para 1,87 milhão de dólares. A guerra entre Irã e potências ocidentais intensifica a insegurança nas rotas, elevando prêmios de seguro e tempo de entrega.
Navios que saíam de Dubai pelo Estreito de Ormuz estão sendo substituídos por embarcações que cruzam o Cabo da Boa Esperança, o que acrescenta até 25 dias ao transporte, segundo a porta-voz Carlotta Wolf. Itens chegam mais tarde e com menos eficiência.
O Estreito de Ormuz ficou mais inseguro desde o início do conflito no Irã, agravando também o congestionamento em portos. Jidá, Mersin e outros terminais enfrentam atrasos, elevando custos logísticos para a ajuda.
A maior dependência de rotas terrestres aumentou a demanda por caminhões, já com escassez de pneus, peças e motoristas. Em Nairobi, o preço do combustível subiu cerca de 15%, impactando a logística para Etiópia, RD Congo e Sudão do Sul.
A Acnur sustenta que as pressões financeiras limitam o alcance da ajuda: o apelo de 8,5 bilhões de dólares para 135 milhões de refugiados está apenas 23% financiado. A organização ressalta que cada dólar gasto com transporte limita o valor destinado aos deslocados.
Desafios em alimentação e financiamento
O aumento do custo do combustível e a escassez de fertilizantes elevam o preço dos alimentos para as populações vulneráveis. A Acnur reforça a necessidade de recursos para manter estoques estáveis nos centros globais, incluindo Dubai, que concentra o maior estoque de itens de ajuda.
Segundo a agência, a situação no Sudão permanece crítica, com deslocamentos internos crescentes e necessidade contínua de apoio de longo prazo. A logística mais cara reduz o volume de itens básicos disponíveis para distribuição imediata.
Autoridades da ONU destacam que a combinação de guerras, interrupções logísticas e cortes de doadores cria um cenário desafiador para a entrega de assistência. O órgão reiterou o compromisso de manter operações humanitárias prioritárias, apesar das dificuldades.
A missão da Acnur no terreno continua monitorando rotas, prazos de entrega e disponibilidade de itens essenciais, buscando alternativas para minimizar atrasos sem comprometer a abrangência da ajuda.
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