- O prazo de quarenta e 60 dias para o Congresso autorizar a continuidade da guerra contra o Irã termina nesta sexta-feira (1º), e o governo Trump afirmou que não seguirá a exigência legal, avaliando novos ataques para pressionar Teerã.
- A legislação de 1973 permite intervenção militar limitada sem autorização se for em situação de emergência, mas, se envolvesse tropas por mais de 60 dias, exigiria aprovação do Congresso.
- O cessar-fogo em vigor desde 7 de abril é citado pelo governo americano como motivo para supostamente suspender o relógio dos 60 dias.
- O Irã ativou sua defesa antiaérea na quinta-feira contra aeronaves não divulgadas; autoridades iranianas chamam a reação de “derrota dos EUA” e dizem que o bloqueio representa uma extensão das operações.
- O bloqueio duplo do estreito de Ormuz aumenta tensões e pressiona a economia global, elevando o preço do petróleo, com o Brent passando de US$ 126 em alguns momentos e perto de US$ 111,05 na manhã desta sexta.
O prazo sinalizado pela lei americana termina nesta sexta-feira (1º). Ele exige que o presidente dos EUA encerre a guerra no Oriente Médio ou obtenha autorização do Congresso para prosseguir com o conflito. O governo de Donald Trump deixou claro que não cumprirá a obrigação e avalia novos ataques contra o Irã para pressionar Teerã a negociar. O Irã informou que acionou, na noite de quinta-feira (30), o sistema de defesa antiaérea.
Segundo a Constituição dos EUA, o Congresso tem o poder de declarar guerra. Uma lei de 1973 permite ações militares limitadas em caso de emergência, desde que, se houver tropas envolvidas por mais de 60 dias, haja autorização legislativa. A sexta-feira representaria o prazo final para essa autorização.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que, em função do cessar-fogo, o relógio dos 60 dias está suspenso. Um alto funcionário do governo mencionou à AFP que as hostilidades iniciadas em 28 de fevereiro terminaram. Não houve troca de disparos entre EUA e Irã desde 7 de abril, data do acordo de trégua.
Reação interna e externa
O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, disse que os EUA sofreram uma derrota. O presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, qualificou o bloqueio dos EUA como uma extensão das operações militares. Em Teerã, as forças de defesa antiaérea foram acionadas contra drones e aeronaves não identificadas, segundo agências locais.
A guerra já deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano. Mesmo com a trégua e as primeiras conversas em Islamabad, em 11 de abril, as negociações de paz parecem estagnadas. O bloqueio de Ormuz continua a impactar a economia global, elevando preços e alimentando inflação.
Efeitos econômicos e diplomáticos
O bloqueio estadounidense aos portos iranianos, em resposta ao bloqueio de Teerã no estreito, afeta o fluxo de hidrocarbonetos. Antes do confronto, cerca de 20% do petróleo mundial passava por Ormuz. O petróleo Brent superou 126 dólares por barril na quinta-feira, com leve recuo na manhã de sexta, a 111,05 dólares.
A Agência Internacional de Energia avaliou que a combinação de interrupção de fornecimento e opções de suprimento eleva riscos energéticos. O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para o possível estrangulamento da economia global, pedindo diálogo e caminhos para a paz.
Na frente libanesa, novos ataques israelenses no sul deixaram ao menos 17 mortos. A embaixada americana em Beirute pediu reunião entre o presidente do Líbano e o primeiro-ministro de Israel para tratar da situação. As operações no Líbano, com o Hezbollah, resultaram em milhares de mortos e mais de um milhão de deslocados desde março.
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