- O ministro da Cultura do Líbano, Ghassan Salamé, disse que o cessar-fogo desde 17 de abril é parcial e que é impossível imaginar um encontro entre o presidente libanês, Joseph Aoun, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, no momento.
- Segundo Salamé, o sul do Líbano continua sob bombardeios, com destruição de vilarejos e evacuações de dezenas de milhares de pessoas; foram quase três mil mortos e cerca de sete mil feridos nos últimos dois meses.
- Israel criou a chamada “linha amarela”, criando uma zona tampão de cerca de 12 quilômetros no sul do Líbano; retorno das famílias não deve ocorrer em breve devido à destruição de escolas, prédios públicos e residências.
- O ministro afirmou que há acusações de crimes de guerra, com ataques atingindo majoritariamente civis, apesar de ordens de evacuação às vezes não serem seguidas; líderes do Hezbollah também discordam de negociações diretas com Israel.
- A Finul tem mandato até 31 de dezembro; o Líbano busca uma força substituta com apoio da ONU e da França para monitorar a fronteira, diante de insatisfação interna com a participação do Hezbollah no conflito.
Ghassan Salamé, ministro da Cultura do Líbano, afirmou que o cessar-fogo com Israel, vigente desde 17 de abril, é apenas parcial. Em entrevista à RFI, disse ser inviável imaginar um encontro entre o presidente libanês, Aoun, e o premiê israelense, Netanyahu, no momento.
Segundo o ministro, a violência continua alta no sul do Líbano, apesar da redução em Beirute e no vale do Bekaa. Regiões inteiras sofrem bombardeios, destruição de vilarejos e evacuações de dezenas de milhares de pessoas desde o início do acordo.
Salamé descreveu a chamada linha amarela criada por Israel, que transforma o sul em uma zona de 12 quilômetros de profundidade. Ele alertou sobre ataques ao norte do rio Litani e afirmou que muitas famílias não podem retornar, pois escolas, prédios e casas foram destruídos.
Crimes de guerra foram citados pelo ministro, que afirmou haver ataques que atingem civis de forma indiscriminada. Segundo ele, há mortos entre civis e alguns combatentes do Hezbollah, com relatos de crianças e mulheres chegando a hospitais em Beirute.
O líder do Hezbollah, Naim Qasem, também criticou a ação de Israel, afirmando que não há cessar-fogo no Líbano, apenas agressão. Qasem rejeitou negociações diretas com Israel, defendendo apenas diálogo indireto e ressaltando que o Líbano precisa de garantias de segurança.
Salamé reconheceu crescente insatisfação popular com a participação do Hezbollah no conflito. Parte da população questiona a atuação do Líbano em uma guerra regional sem ser parte do conflito desde o início. A opinião pública interessa ao governo.
Sobre negociações diretas entre Beirute e Tel Aviv, o ministro reiterou a impossibilidade no momento. Ele citou território libanês ocupado, ataques contínuos e prisioneiros em Israel como entraves para um encontro entre Aoun e Netanyahu, ainda sob pressão internacional.
Em relação ao desarmamento do Hezbollah, Salamé explicou a recusa do grupo em entregar armas. O Hezbollah afirma que o Exército libanês não está preparado para garantir a defesa do país sem apoio externo.
O ministro comentou ainda o futuro da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Finul), com mandato até 31 de dezembro. O governo negocia com a ONU e a França uma força substituta para monitorar a fronteira. O Líbano busca manter presença internacional.
Por fim, Salamé destacou o papel ativo da França nas negociações e sugeriu que modelos de missões internacionais na região podem servir de referência para uma nova operação no sul do Líbano.
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