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Experiência transcendente na Naoshima guiada por Lee Ufan

Lee Ufan, aos noventa, guia visitantes pela Gate to Infinity em Naoshima, elevando a experiência contemplativa entre arte, natureza e silêncio

‘My work is very powerful’ … Ufan’s popular Gate to Infinity on the island of Naoshima.
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  • Naoshima, redevelopada desde 1989 pelo bilionário Sōichirō Fukutake, tornou-se a “ilha da arte” no Japão, com galerias de concreto criadas por Tadao Andō.
  • A obra central Porte vers l’Infini, ou Gate to Infinity, é um arco de onze metros de altura e uma rampa de aço que convida o visitante a caminhar até o mar.
  • A escultura é de Lee Ufan, que completa 90 anos no próximo mês e tem dois museus dedicados, um em Naoshima e outro em Arles, na França; ele prepara retrospectiva em Veneza.
  • A carreira de Lee inclui o movimento Mono-ha; obras iniciais como Phenomenon and Perception B (Relatum) e Things and Words exploram a relação entre objetos, indústria e natureza.
  • Em Naoshima, a experiência do visitante culmina em uma sala com obras da série Dialogue; Lee explica que seu trabalho busca gerar uma vibração perceptiva no observador.

Naoshima, ilha japonesa conhecida como “arte ilha”, transformou-se de área poluída com fábrica da Mitsubishi para polo cultural desde 1989, com o investidor Sōichirō Fukutake. A paisagem reúne galerias de concreto, criadas pelo arquiteto Tadao Andō, que convidam o visitante a contemplar obras de Monet a De Maria. Um marco recente é a obra Porte Vers l’Infini, de Lee Ufan, instalada na praia de Naoshima.

A peça, conhecida como Gate to Infinity, é um arco de aço que mede 11 metros de altura e 13 metros de largura, posicionado entre rochas, com uma rampa metálica sob ele. Lee Ufan sustenta que a obra incentiva a sensação de respiração do universo ao redor, elevando a percepção do ambiente natural.

Lee Ufan, coreano de nascimento, completa 90 anos no próximo mês e lidera uma trajetória marcada por museus dedicados, um em Naoshima e outro em Arles. Em Veneza, ele terá uma retrospectiva que revisita sua produção desde os anos 60, incluindo obras do movimento Mono-ha.

Sobre a obra e o método de Lee Ufan

O artista descreve a busca por comunicação entre objeto e ambiente natural, enfatizando a relação entre materiais e espaço. Em Naoshima, o percurso do visitante culmina em uma sala com teto curvo, onde três obras estão pintadas diretamente na parede, parte da série Dialogue.

No estúdio de Kamakura, perto de Tóquio, Lee recebe jornalistas e familiares para uma visão de processo. Entre ferramentas, livros e obras da coleção, o artista comenta hábitos diários, rituais de respiração antes de pintar e a ideia de que a prática é uma forma de manter a juventude criativa.

Carreira e influências

Lee estudou filosofia em Tóquio, entrou para o movimento Mono-ha e, ao longo das décadas, também atuou como escritor, com 17 obras entre filosofia, poesia e história da arte. O artista participou de momentos marcantes, incluindo períodos de críticas e de diálogo internacional durante a sua carreira.

A leitura de peças como From Line e With Winds mostra o foco dele em linhas e estruturas que dialogam com o espaço. A importância de reduzir a produção para manter a qualidade é reiterada pelo próprio Lee, que não se reconhece como minimalista, mas como alguém atento ao essencial.

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