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O que é preciso para construir a Bienal de Veneza

Montagem da Bienal de Veneza enfrenta logística complexa, custos elevados e atrasos no transporte, sob pressão de conflitos globais e prazos rígidos

Artist and choreographer Faustin Linyekula, arms outstretched, sings out towards the Arsenale Dockyards three weeks before the opening of the Venice Biennale.
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  • Três semanas antes da abertura, a Bienal de Veneza ainda tem infraestrutura fechada ou inacabada, com áreas como os Giardini parcialmente inacessíveis.
  • Conflitos geopolíticos elevam custos e complicam a logística, impactando envio de obras e montagem de pavilões, incluindo a exposição em San Giorgio Maggiore.
  • Projetos mostram abordagens flexíveis, como a performance de Faustin Linyekula na Galeazze e o Iceland Pavilion, que planeja ajustes conforme surgirem imprevistos.
  • No Pavilhão Armeniano, Zadik Zadikian monta um estúdio em tempo real no Arsenale, com materiais chegando de Los Angeles e montagem contínua durante a mostra.
  • A organização depende fortemente de profissionais locais e de redes de relacionamento para conseguir espaços, custos e prazos, com logística e orçamentos frequentemente subindo até perto do início.

Três semanas antes da abertura da Bienal de Veneza, a cidade encara a montagem como uma operação de alto risco logístico. Mucha infraestrutura segue indisponível, com o Giardini fechado e partes do Arsenale sob controle rígido. O objetivo é entregar uma exposição global dentro de prazos fixos, apesar dos custos e dos atrasos.

A mostra reúne artistas, curadores e técnicos que trabalham em espaços improváveis, desde galpões militares até igrejas e edifícios históricos. O desafio central é adaptar projetos complexos às limitações de Veneza, uma cidade construída sobre estacas de madeira e sujeita a fluxos marítimos, pontes e canais que condicionam o acesso.

A cobertura de bastidores revela que o esforço não é apenas artístico, mas logístico. Enquanto a cidade se prepara para a press and guest opening, os praticantes buscam soluções criativas para manter o cronograma e a integridade das obras.

Venice As She Is

Faustin Linyekula apresenta The Galeazze Project, em Galeazze, no Arsenale Nord. O espaço é um conjunto de estruturas antigas, sem palco, onde o artista usa gravilha, sacos de material e iluminação natural para moldar a experiência. O público caminhará entre caminhos estreitos e pontos de entrada revelados por performers.

O objetivo é “emoldurar o arquivo do espaço” e não impor uma estrutura externa. O projeto transforma o local em presença ativa, com hierarquia de histórias que a performance aciona, não as substitui. A proposta privilegia a resposta do lugar ao corpo do artista.

By Land or By Sea

Barry X Ball leva The Shape of Time à Basílica de San Giorgio Maggiore, com 23 esculturas, incluindo peças monumentais. A logística de deslocamento envolveu semanas de atrasos, com containers parando no Atlântico e readequando o cronograma de montagem.

As obras ainda passaram por um percurso complexo: do estúdio em Brooklyn à costa italiana, com paradas em Alexandria e Haifa. O custo estimado, segundo Ball, é elevado, envolvendo aluguel de espaços, segurança, transporte e seguro. Ball financia o projeto com apoio de patronos.

A montagem final da basílica busca diálogo entre as esculturas e a arquitetura, com ajustes de cronograma para manter a instalação dentro do período da Bienal.

“You Have to Be Flexible”

Ásta Fanney Sigurðardóttir apresenta Pocket Universe na Pavilhão da Islândia, com filme, performance e objetos espalhados por um espaço próximo ao Arsenale. Materiais vindos da Islândia são complementados com itens adquiridos na Itália para evitar atrasos.

A curadora enfatiza a necessidade de adaptabilidade: se algo não chegar, é remodelado. Desvio surpreendente pode virar parte da lógica da mostra, mantendo o processo criativo em movimento.

The Pressure Doesn’t Stop Once the Doors Open

No Pavilhão Armeniano, Zadik Zadikian transforma o Arsenale em um estúdio de produção durante seis meses. Esculturas de tijolos são montadas, desmontadas e reconstruídas diante do público, em uma coreografia de labor.

O fluxo de materiais é contínuo: pigmentos chegam de Los Angeles, além de suprimentos italianos e itens personalizados. A obra se adapta ao espaço, com estruturas de isopor sob a superfície de gesso para reduzir peso.

A agenda exige operação constante: a produção não encerra com a inauguração. A equipe enfrenta a necessidade de reposição de materiais precisos, como pigmentos, que podem impactar a concepção final.

Locals and Insiders

Pia Capelli atua como uma ponte entre galerias, museus e instituições, preparando a logística desde antes da montagem. O trabalho envolve planejamento de longo prazo, com orçamentos que podem crescer à medida que a instalação se aproxima.

O desafio não é apenas financeiro, mas espacial: a cidade impõe limites de cantos de canais, pontes e acessos, dependentes de relações de confiança e experiência para viabilizar a presença das obras. Veneza, com menos de 50 mil habitantes, vive sob esse dilema.

A Bienal, ao mobilizar espaço, atrai atenção e turismo, mas também aumenta pressão sobre a infraestrutura local. Capelli destaca que a dificuldade de operar na cidade é parte do encanto e da complexidade do evento.

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