- Na região de Zaporíjia, a média de ataques inimigos é de cerca de 800 por dia, com o pior dia registrado no fim de março, quando passaram de mil ataques.
- O governador Ivan Fedorov acompanha a situação em tempo real por meio de um iPad fornecido pelo Ministério da Defesa da Ucrânia, que mostra movimentos de tropas, ataques e desdobramentos.
- Os russos usam bombas planadoras com maior frequência; as defesas aéreas e interceptadores têm papel central, mas ainda não garantem controle completo do espaço aéreo.
- A região está com 75% do território sob ocupação russa; há pedido por mais defesa aérea de médio e longo alcance e por apoio internacional para fechar o espaço aéreo.
- Civis vivem na chamada zona cinzenta, até 50 quilômetros do front, com drones modernos conectados por fibra ótica, que aumentam o risco para a população; em Mychajlo-Lukaschewe, cerca de 53 casas foram atingidas desde o início do ano, levando famílias a fugirem.
A região de Zaporíjia, no sul da Ucrânia, vive sob constante ameaça de drones enquanto o Exército ucraniano busca expulsar forças russas que ocupam parte do território. A cada dia, dezenas de ataques são registrados na região a cerca de 50 km do front. Drones pequenos surgem no céu, vindos de ambos os lados, enquanto helicópteros patrulham o fogo de possível retorno inimigo.
Detectores de drones instalados nas rodovias disparam alertas a 30–40 km da linha de frente. Em zonas periféricas, tropas ucranianas aguardam em diferentes formações, enquanto a população civil convive com o medo de novos ataques.
Pelo menos 800 ataques inimigos são contabilizados diariamente na região, segundo o governador Ivan Fedorov. Em março houve o pior dia, com mais de mil ataques, conforme a administração regional. A DW teve acesso a um quadro em tempo real mantido por Fedorov.
Fedorov utiliza um tablet fornecido pelo Ministério da Defesa para acompanhar movimentos de tropas, ataques e alvos. Segundo ele, três bombas planadoras são avistadas em mapas, o que sugere a necessidade de reforço na defesa aérea da região.
A Rússia afirma controlar quase 75% do território de Zaporíjia. A anexação de 2022, não reconhecida pela comunidade internacional, complica a resposta militar e diplomática. A Ucrânia, por sua vez, busca ampliar o domínio aéreo e logístico na frente.
Defesa aérea e interceptação de drones
O governo ucraniano classifica como prioridade a construção de um sistema de defesa em várias camadas, conhecido como domo antidrones. O ministro Mykhailo Fedorov afirmou que a estratégia visa neutralizar drones na aproximação do espaço aéreo.
Resultados iniciais já aparecem na prática: drones interceptadores ajudam a reduzir incidentes, com recorde de mais de 10 mil drones inimigos neutralizados em fevereiro. Interceptadores, drones de combate e baterias de defesa atuam de forma integrada.
Operadores de defesa contra drones contam com equipes especializadas e equipamentos para derrubar aeronaves russas, como Shahed, Gerbera, Molnija e FPV. Um comandante, conhecido como Balu, relata que a defesa já abate a maioria dos drones antes que atinquem a área de Zaporíjia.
Apesar dos avanços, dificuldades permanecem. Drones russos com fibra ótica de alta resistência conseguem manter transmissão de vídeo estável e superam parte dos bloqueios eletrônicos. O alcance dessas modernas plataformas chega a cerca de 35 km.
A população civil em zonas próximas ao front, a chamada zona cinzenta, permanece em risco. Em Mychajlo-Lukaschewe, a 40–50 km da linha de frente, cerca de 53 casas foram atingidas desde o início do ano. Familiares relatam impactos em moradias e deslocamentos.
Ljudmila Skrypnyk, moradora de Mychajlo-Lukaschewe, descreve noites marcadas por ruídos de explosões e pelo temor constante. Tetiana Vinnitschenko mostra um radar móvel que indica drones a 10–30 km de distância, aumentando a ansiedade entre quem permanece na região.
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