Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Coreia do Norte vê o K-pop como ameaça: explicações e implicações

Relatório aponta aumento de execuções na Coreia do Norte por consumo de cultura estrangeira, com 153 mortes entre 2020 e 2024

Kim Jong-un chegou a classificar K-pop como 'câncer perverso'
0:00
Carregando...
0:00
  • Relatório do Grupo de Trabalho sobre Justiça Transnacional aponta aumento de execuções na Coreia do Norte por motivos ligados à cultura estrangeira, religião e superstição, com base em 880 desertores entrevistados.
  • Entre janeiro de 2020 e meados de dezembro de 2024, 153 pessoas foram condenadas à morte, aumento de quase 250% em relação ao período anterior ao fechamento das fronteiras.
  • Casos relacionados à cultura, religião e superstição somam 38 mortes no período pós-2020, frente a apenas sete no período anterior.
  • O regime endureceu leis para punir consumo ou distribuição de conteúdo sul-coreano, com possibilidade de trabalhos forçados ou pena de morte; em 2021, Kim Jong-un classificou o K-pop como câncer perverso.
  • Em 2024, imagens divulgadas mostraram dois adolescentes condenados a 12 anos de trabalhos forçados por assistirem a vídeos de K-pop.

Um relatório do Grupo de Trabalho sobre Justiça Transnacional (TJWG), com sede em Seul, aponta aumento de execuções na Coreia do Norte motivadas por consumo de cultura estrangeira, religião e superstição. Os dados comparam períodos antes e após o fechamento das fronteiras em janeiro de 2020, durante a pandemia de covid-19, e envolvem 880 desertores entrevistados.

Segundo oTJWG, 153 pessoas foram condenadas à morte entre janeiro de 2020 e meados de dezembro de 2024 por diversas acusações. O número representa um salto de quase 250% em relação ao período anterior ao fechamento das fronteiras. A participação de crimes ligados à cultura, religião e superstição foi particularmente alta.

Resumo divulgado aponta que 38 pessoas foram executadas por esses motivos nos quase cinco anos após 2020, contra apenas sete casos no período anterior. Ativistas lembram que, antes do fechamento, o crime mais citado era o assassinato, mas o foco passou a ser crimes ligados a cultura e informações estrangeiras, além de religião.

Para a DW, especialistas ressaltam que a mudança revela uma maior disposição do regime de Kim Jong-un em usar a força letal para manter lealdade e reprimir dissidência. Mesmo com a repressão, ainda há circulação de conteúdo de mídia estrangeira dentro da Coreia do Norte.

Segundo o que observam especialistas, o regime tem utilizado a repressão para conter sinais de descontentamento, com punições cada vez mais severas. Tais medidas ocorrem mesmo diante da circulação de conteúdos de mídia sul-coreana no país, muitas vezes por meio de meios clandestinos.

O debate sobre o K-pop como ameaça envolve a percepção de impacto cultural dessas produções. Músicas, séries e filmes sul-coreanos chegam ao público norte-coreano principalmente entre jovens, que consomem clandestinamente produtos como K-pop e dramas, longe da vigilância estatal.

O governo endureceu as leis para frear esse fluxo. Assistir ou distribuir conteúdo sul-coreano pode resultar em longos períodos de trabalhos forçados e, em casos graves, na pena de morte. Em 2021, Kim Jong-un classificou o K-pop como câncer perverso que corrompe vestuário, penteados, fala e comportamentos dos jovens.

Como parte da política repressiva, a Coreia do Norte pune comportamentos considerados imitativos, incluindo uso de expressões coreanas e estilos associados ao K-pop. Em 2024, imagens de vídeo mostraram autoridades condenando dois adolescentes a 12 anos de trabalhos forçados por assistirem a vídeos de K-pop.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais