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Falta de imprensa livre restringe a expressão pública

RSF aponta piora global da liberdade de imprensa em 25 anos; no Brasil, assédio judicial contra jornalistas cresce, ameaçando expressão e democracia

(Foto: Imagem criada utilizando Open AI/Gazeta do Povo)
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  • O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa existe desde 1993; relatório da Repórteres Sem Fronteiras aponta piora mundial em 25 anos, com 52,2% dos países em situação difícil ou muito grave para o jornalismo.
  • Em 2002, esse percentual era de 13,7%, mostrando aumento significativo de ameaças à imprensa ao longo das últimas décadas.
  • As pressões não seguem bandeiras ideológicas: governos de esquerda e de direita, democracias e regimes autoritários têm atuado para controlar a imprensa, citando proteção da ordem, desinformação ou instituições.
  • A deterioração global em 2026 é associada principalmente ao ambiente jurídico, com leis restritivas e criminalização do jornalismo, além de processos judiciais usados como pressão.
  • No Brasil, a imprensa ganhou posição no ranking (da 82ª em 2024 para a 52ª em 2026), mas houve aumento de processos contra jornalistas: 784 casos em 2025, em 126 ações nos últimos 11 anos, segundo a Abraji.

A liberdade de imprensa não existe no vácuo. Ela depende de um ambiente mais amplo em que a expressão é livre. O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa ganha relevância diante de números que apontam retrocessos em várias nações, segundo a RSF.

Dados divulgados pela Repórteres Sem Fronteiras mostram que, em 2026, a liberdade de imprensa atingiu seu pior patamar em 25 anos. Mais da metade dos países avaliados (52,2%) vivem em situação considerada difícil ou muito grave para o jornalismo. Em 2002, esse percentual era de 13,7%.

A pesquisa aponta que as ameaças não têm bandeira ideológica única. Governos de esquerda e de direita, democracias consolidadas e regimes autocráticos aparecem entre os contextos de pressão. Em muitos casos, justificativas como proteção da ordem pública, combate à desinformação ou defesa de instituições aparecem como pretextos.

A RSF destaca que o ambiente jurídico tem sido uma das formas mais sofisticadas de pressão. Processos civis e criminais contra jornalistas aumentam o custo de continuidade da atuação profissional, levando ao autocensura e ao afastamento de fontes.

Contexto global

O relatório aponta retrocessos em 2025-2026 nos Estados Unidos, Argentina e El Salvador, onde houve maior pressão governamental e ataques a jornalistas. Em contraste, Venezuela, Nicarágua e Cuba continuam entre os casos mais críticos da região, com condições de trabalho do jornalismo severamente limitadas.

Um traço comum entre regimes com pior desempenho é a falta de compromisso com valores democráticos, independentemente da orientação ideológica. A observação sinaliza que direitos de expressão e de imprensa caminham juntos; quando um é ameaçado, o outro tende a sofrer impacto.

No Brasil, há avanços constantes no ranking da RSF: de 82º em 2024 para 52º em 2026. Ainda assim, o país enfrenta desafios significativos, principalmente na esfera judicial. O Monitor de Assédio Judicial contra Jornalistas, da Abraji, registrou aumento no número de processos de 654 para 784 em 2025, distribuídos em 126 casos ao longo de 11 anos.

Esses números refletem a multiplicação de ações movidas por políticos, empresários, instituições religiosas e membros do Judiciário. O avanço de leis restritivas e a criminalização do jornalismo são apontados como fatores que pesam na deterioração global da liberdade de imprensa em 2026.

Desdobramentos no Brasil

Especialistas destacam que, no Brasil, a erosão de segurança jurídica, a viabilidade econômica de veículos independentes e a proteção das fontes são riscos relevantes para a atuação jornalística. A RSF aponta que o ambiente legal é, hoje, um dos maiores desafios para o exercício do jornalismo.

A relação entre liberdade de imprensa e liberdade de expressão permanece estreita. Quando uma é atacada, a outra tende a ser impactada, segundo especialistas citados pela reportagem. A defesa de fontes abertas, o acesso à informação pública e a proteção de repórteres permanecem como pilares centrais.

A publicação ressalta a necessidade de defender e fortalecer direitos jornalísticos para uma democracia saudável. A comemoração do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, em 3 de maio, é apresentada como um reconhecimento da importância de manter tais liberdades ativas e protegidas.

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