- Após 11 dias, a sala de imprensa da Casa Rosada foi reaberta, mas credenciais de cerca de 60 jornalistas continuam suspensas e o acesso permanece restrito.
- Os profissionais passam a poder entrar apenas na sala de imprensa, na sala de conferências e em salões onde forem convidados, sem circular pelos corredores ou acessar o Pátio das Palmeiras.
- A sala de imprensa teve vidro fosco instalado e a porta de acesso foi fechada; três salões que eram abertos à imprensa já haviam sido interditados.
- A medida foi justificada pelo governo após a divulgação de uma gravação considerada clandestina feita por um jornalista da emissora de televisão Todo o material foi entregue à autoridade, que a acusa de espionagem.
- Em 2025, o Foro de Jornalismo Argentino aponta recorde de ataques à imprensa (278), com Milei citado como principal agressor (119 ataques), além de aumento de violência online e de ações contra jornalistas.
Milei autorizou novamente a imprensa a entrar na Casa Rosada, mas com restrições severas. A sala de imprensa, fechada por 11 dias, reabriu com credenciais suspensas de cerca de 60 profissionais e circulação limitada dentro do palácio. A decisão mantém apenas áreas específicas de acesso aos jornalistas.
A reabertura ocorreu após o governo informar que o credenciamento anual foi aprovado para quem tinha sido proibido de entrar desde 23 de abril. A nova regra autoriza apenas a entrada na sala de imprensa, na sala de conferências e em salas para atividades previamente convidadas, restringindo movimentos pelos corredores.
Além disso, o acesso aos corredores, ao Pátio das Palmeiras e a áreas com fontes de informação ficou proibido. A sala de imprensa recebeu alterações, incluindo vidro fosco e uma porta fechada, reduzindo a visibilidade da atividade de servidores públicos.
O governo justificou as mudanças como medidas de segurança para proteger o presidente e a Casa de Governo, afirmou o chefe do gabinete de ministros, Manuel Adorni. Ele destacou que o governo defende a liberdade de imprensa, mas com protocolo de segurança.
Contexto
A ampliação de restrições ocorre num momento de tensões entre o governo e veículos de imprensa. Investigações de corrupção envolvendo o governo têm sido alvo de críticas sobre transparência e acesso a informações oficiais.
Na prática, jornalistas passaram a ingressar pela porta lateral, com revistas e detectores de metais em procedimentos descritos como de segurança nacional. Em 2024 o credenciamento já havia sido endurecido, o que reduziu a cobertura de veículos menores.
A decisão gerou repúdio de entidades jornalísticas, da oposição, do setor privado e de organizações da sociedade civil. A imprensa argentina ressaltou a importância do acesso amplo a informações públicas para a melhoria da accountability.
Panorama de ataques à imprensa
Paralelamente, o presidente Milei intensificou ataques a jornalistas em redes sociais e em discursos, citando nomes com frequência. Plataforma de monitoramento aponta recorde de ataques em 2025, com 278 ocorrências.
O levantamento aponta Milei como principal agressor, com 119 ataques, e registra crescimento de violência digital e física contra veículos e profissionais. O FOPEA também aponta um aumento de restrições de acesso à informação no período.
O órgão destacou ainda que, em 2025, houve recorde de processos judiciais contra jornalistas e de casos de censura. O relatório analisou publicações oficiais do governo entre 2023 e 2025 para mapear linguagem ofensiva.
Observação final
O caso evidencia um choque entre exigências de segurança institucional e princípios de liberdade de imprensa. O debate sobre equilíbrio entre proteção de autoridades e direito à informação permanece em pauta no cenário argentino.
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