- Tribunal de Beersheba rejeitou a apelação e manteve a prisão de Thiago Ávila e Saif Abu Keshek até domingo.
- Os dois foram detidos na quinta-feira, em frente à costa de Creta, após participarem de uma flotilha rumo a Gaza, e levados para interrogatório em Israel.
- A detenção foi prorrogada na terça-feira para que a polícia tenha mais tempo de investigação; a decisão foi mantida nesta quarta-feira.
- A Adalah, ONG que os representa, classifica a detenção como ilegal e afirma maus-tratos, isolamento e iluminação constante nas celas.
- Brasil, Espanha e a Organização das Nações Unidas pedem libertação imediata; Israel acusa os ativistas de vínculos com o Hamas e com a Organização Popular para Palestinos no Exterior.
A Justiça israelense rejeitou nesta quarta-feira a libertação do ativista brasileiro Thiago Ávila e do espanhol-palestino Saif Abu Keshek. O tribunal manteve a prorrogação da prisão dos dois até o próximo domingo, após apelação apresentada pela defesa. A decisão ocorreu no âmbito de interrogatórios em curso.
Ávila e Abu Keshek foram detidos na última quinta, à frente da costa da ilha grega de Creta, durante uma flotilha que visava romper o bloqueio a Gaza. Enquanto os demais integrantes do grupo foram encaminhados para uma ilha grega e libertados, eles permaneceram sob custódia israelense para aprofundar os interrogatórios.
Os advogados apresentaram recurso alegando ilegalidade na detenção, já que, segundo eles, a prisão ocorreu em águas internacionais e sem autoridade correspondente. O tribunal de Beerseba, porém, manteve a decisão anterior, aceitando os argumentos do Estado e da polícia. A advogada Hadeel Abu Salih confirmou a decisão.
Processo e condições na prisão
A Adalah, ONG que representa os ativistas, classificou a detenção como ilegal e denunciou maus-tratos. Segundo a entidade, Ávila e Abu Keshek estariam em isolamento total, com iluminação intensa 24 horas por dia e vendados durante transferências. As autoridades israelenses negam tais acusações.
A defesa também ressaltou que nenhum dos dois foi formalmente acusado até o momento. O caso ocorre em meio a cobranças internacionais por libertação imediata, incluindo pedidos do Brasil, da Espanha e de entidades da ONU, que, nesta quarta, reiteraram a necessidade de libertação.
A flotilha de origem europeia tinha como objetivo entregar ajuda humanitária a Gaza, sob controle israelense desde 2007. O episódio destaca tensões entre ativistas, autoridades israelenses e organizações internacionais envolvidas no tema humanitário e político da região.
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