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Rússia recruta africanos para lutar na Ucrânia

Recrutamento fraudulento de africanos para o exército russo leva jovens ao front na Ucrânia, com relatos de coerção e buscas por alternativas de retorno

A viúva de James Kamau Ndungu, Jane Wanjiku, e sua filha Emily, em sua homenagem póstuma em março, no condado de Kiambu, Quênia
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  • Um número crescente de africanos é recrutado de forma fraudulenta para lutar na Ucrânia, com promessas de empregos civis que acabam levando ao front.
  • No Quênia, o Serviço Nacional de Inteligência estima que cerca de mil quenianos foram para a Rússia, e apenas cerca de trinta retornaram vivos; autoridades aumentaram a fiscalização de jovens que viajam.
  • Recrutadores costumam atuar como agências de viagem ou colocação profissional, anunciando pelo WhatsApp ou Telegram, com contratos em russo que as vítimas não conseguem ler.
  • Casos de recrutamento frauduloso foram relatados em diversos países africanos, incluindo Quênia, Tanzânia, África do Sul, Nigéria, Gana, Botsuana e outros, com relatos de treinamentos e envio ao front.
  • Autoridades russas negam recrutamento forçado; autoridades africanas e diplomatas criticam a exploração, enquanto veículos de imprensa internacionais investigam os casos.

O recrutamento de africanos para lutar na guerra da Ucrânia envolve casos de fraude e coerção. Jovens em vários países são atraídos com promessas de empregos civis, como guarda-costas ou cozinheiros, mas acabam forçados a ingressar nas forças russas. O fenômeno ganhou atenção após relatos de recrutamentos na África.

Casos identificados indicam empresas que atuam como agências de viagens ou de colocação profissional, anunciando serviços via WhatsApp ou Telegram. Vítimas descrevem contratos em russo, impossibilitando leitura pelos recrutados, e relatos de coerção para assinar.

Entre os envolvidos, destacam-se cidadãos quenianos, tanzanos, sul-africanos e de outras nações. Autoridades de vários países registraram casos, com números que variam conforme a investigação. Em Quênia, autoridades estimaram que cerca de mil quenianos viajaram para a Rússia até o momento, com baixa taxa de retorno com vida.

Caso do Quênia

James Kamau Ndungu, 32 anos, do Quênia, viajou com a promessa de emprego civis. Fotos enviadas de Istambul indicam trânsito e, semanas depois, ele já trajava uniforme militar. Em agosto, relatou estar em uma trincheira na Ucrânia, pedindo orações; desse contato, não houve mais notícias.

Um caso representativo mostra como o recrutamento se conecta a redes locais: Vincent Odhiambo Awiti relatou ter sido recrutado em Nairóbi por alguém que dizia trabalhar para uma agência de recursos humanos. Ele pagou passagem para a Rússia em julho, assinou contrato com instruções para ingressar no Exército russo e, após meses de violência, voltou ao Quênia com ajuda da embaixada local.

Recrutamento e operações

O The New York Times entrevistou vítimas e recrutadores, sugerindo que muitos recrutadores não operam diretamente sob o Ministério da Defesa russo. Em alguns casos, contas aparecem com promessas de salários de até US$ 3.000 mensais, bônus de US$ 18.000 ou cidadania após o serviço.

Agências na África promovem serviços como vistos de empregos com serviços de translado. Em outubro, uma empresa publicou anúncios sobre vagas diversas para ingressar no exército russo. Defensores dos países africanos apontam que muitos jovens aceitam ofertas pela falta de oportunidades locais.

Repercussões e respostas

Governações africanas intensificaram fiscalizações para evitar saídas de jovens com destino a países em conflito. Em Botswana, promotores registraram casos de recrutamento para serviços de segurança, com alguns cidadãos viajando à Rússia. Autoridades sul-africanas discutem ações para coibir fraudes e proteger possíveis vítimas.

Diplomatas destacam a gravidade do tema. O chanceler russo reconheceu, em março, que estrangeiros participam da operação na Ucrânia, mas negou recrutamento forçado, afirmando que voluntários atuam conforme a legislação russa. O embaixador da Ucrânia na África do Sul criticou a prática.

Testemunhos que destacam o impacto

Casos relatados incluem ferimentos graves, coerção para assinar contratos e deslocamentos forçados. Em alguns relatos, recrutados descrevem a percepção de estar em situações mortais, com dificuldades para retornar aos seus países de origem. A situação evidencia riscos humanitários e violações potenciais de leis locais.

Botsuana também reportou casos de cidadãos que, após incursões na Rússia, retornaram com histórico criminal ou prisões internas na África do Sul, antes de buscar retorno. Em média, as histórias destacam traumas, perdas e custos pessoais significativos para as famílias.

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