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Mina de terras-raras vendida a empresa dos EUA nunca foi brasileira

Venda da Serra Verde a empresa dos EUA configura controle estrangeiro; governo federal não interferiu, reavivando debate sobre soberania de minerais no Brasil

Na imagem, parte das instalações da Serra Verde, em Goiás
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  • A Serra Verde, mina de terras-raras em Minaçu (Goiás), foi vendida em abril de 2026 para a USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões; a mineradora nunca pertenceu ao Brasil, sendo de capital estrangeiro.
  • A operação não passou pelo governo de Goiás, que não tinha competência para autorizá-la; a transferência ocorreu em nível federal, com o governo federal ciente.
  • O tema será discutido em reunião entre o presidente Lula e o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca, em 7 de maio de 2026, em meio a debates sobre mineração de minerais críticos.
  • O governo aprovou, em 6 de maio, projeto de lei que regula o setor, permite veto a vendas de mineradoras para estrangeiros e prevê incentivos a processamento de materiais no Brasil; EUA buscam diversificar fontes de terras-raras.
  • A Serra Verde foi criada em 2010 com capital estrangeiro; empréstimos da Development Finance Corporation (DFC) em 2025 favoreceram a saída de minério para o mercado americano, com contrato de fornecimento exclusivo de 15 anos para a SPV norte-americana.

A Serra Verde, mineradora de terras-raras em Minaçu (GO), foi vendida para a americana USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões em abril de 2026. A operação foi realizada sem participação direta do governo de Goiás, e sim com controle transferido entre grupos estrangeiros. O governo federal teve ciência do negócio, mas não interveio na ocasião.

A Serra Verde foi criada em 2010 com capital externo, envolvendo Denham Capital, Energy & Minerals Group e Vision Blue Resources. Não havia investimento de capital brasileiro na composição societária original. A venda, portanto, representou mudança de controle entre acionistas estrangeiros, não de uma empresa brasileira para estrangeiros.

Entre 2025 e 2026, o tema ganhou contornos geopolíticos. Em 2025, o empréstimo da US Development Finance Corporation (DFC) para a Serra Verde subiu de US$ 465 milhões para US$ 565 milhões, contribuindo para a reconfiguração de contratos com a China. O Financial Times divulgou detalhes sobre cláusulas de exclusividade que favoreceriam Estados Unidos.

Em abril de 2026, a reportagem do FT mostrou que o empréstimo da DFC possuía controles que indicavam destino comercial específico para os EUA e países alinhados, excluindo a China. 20 dias após, a US Rare Earth comprou a Serra Verde e firmou um contrato de fornecimento exclusivo de 15 anos com uma SPV americana.

A Agência Nacional de Mineração e o Ministério de Minas e Energia, embora cientes da negociação, não impediram a transferência. O Itamaraty informou que equipes técnicas de Brasília e Washington discutiam o tema em reuniões regulares, enquanto Goiás não possuía competência para intervir no acordo federal. A entrega de ativos estratégicos permaneceu sob guarda da União.

Nesta quinta-feira (7 de maio de 2026), Lula e Trump devem discutir a exploração de minerais críticos na reunião da Casa Branca. O governo brasileiro prepara um projeto de lei para regular o setor, com o objetivo de permitir veto a vendas de mineradoras para estrangeiros e incentivar processamento local. O texto também incentiva investimentos no Brasil para reduzir dependência de fornecedores externos.

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