- A Comissão Europeia confirmou, em quatro de maio, a proibição de financiar inversores solares fabricados na China, como parte do esforço para reduzir a dependência de tecnologia chinesa.
•Especialistas alertam que conexões remotas nesses dispositivos podem abrir brechas para hackers ou agentes hostis, potencialmente interrompendo o fornecimento de energia e provocando apagões.
- A energia solar já representa mais de treze por cento da eletricidade da União Europeia em 2025, com a expansão impulsionada por tecnologia chinesa; em dois mil e vinte e quatro, setenta e um por cento dos inversores importados vieram da China.
- A Huawei e a Sungrow são os principais fabricantes, dominando o mercado de inversores na Europa e no mundo; cerca de oitenta por cento dos sistemas solares novos na Europa usam inversores chineses.
- As novas regras impedem que recursos da UE financiados pela Comissão utilizem para compra de inversores solares chineses, mas compras diretas pelos Estados-membros continuam permitidas e inversores já instalados podem permanecer em operação.
A Comissão Europeia confirmou, em 4 de maio, a restrição de financiamento para tecnologias de energia solar produzidas na China. A medida foca especialmente nos inversores solares, considerados o cérebro dos sistemas de geração de energia. A motivação é reduzir a dependência europeia de tecnologia verde chinesa.
Especialistas apontam riscos de segurança decorrentes dessa dependência, sobretudo pela conectividade remota dos inversores, que facilita manutenção e atualização de software, mas pode abrir brechas para ataques cibernéticos. Em cenários extremos, há preocupação com interrupções no fornecimento de energia.
A participação da energia solar na matriz europeia aumentou nos últimos anos, saindo de 0,05% para 13,1% da produção em 2025, segundo Ember. Em 2024, 61% dos inversores importados para a Europa vieram da China, aponta Loom, instituição de pesquisa.
Medidas e impactos
A nova política impede o uso de recursos da UE para aquisição de inversores chineses, com exceção das compras feitas diretamente pelos Estados-membros. Inversores já instalados na Europa podem permanecer em operação, sem alteração imediata.
Bruxelas vem estruturando regras para monitorar importações de tecnologia verde. Em março, a União apresentou a Lei de Aceleração Industrial, que prioriza produção europeia de baterias, veículos elétricos e similares. A revisão da Lei de Cibersegurança também tramita para ampliar poder de restrição a empresas chinesas em infraestruturas críticas.
O que vem a seguir
Os chineses Huawei e Sungrow dominam o mercado europeu de inversores e lideram o mercado global. Estima-se que cerca de 80% dos novos sistemas solares na Europa dependam de inversores chineses. A indústria europeia, segundo especialistas, pode ampliar capacidade de produção para suprir a demanda, ainda que com custo adicional estimado em torno de 2%.
O grupo de especialistas afirma que a expansão nacional poderia ocorrer em meses, desde que haja investimento e planejamento adequado. Para alguns, o custo extra funciona como seguro contra interrupções potencialmente graves na rede elétrica.
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