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Guerra na Ucrânia impulsiona mulheres a virarem barriga de aluguel

Ucrânia analisa lei que restringiria barriga de aluguel a estrangeiros, em meio a guerra que impulsiona mulheres a recorrer à prática para sobreviver

Karina Tarasenko afirma que nunca teria recorrido à barriga de aluguel se não fosse a guerra, mas agora pretende continuar para economizar dinheiro e comprar uma casa
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  • A Ucrânia discute um projeto de lei que regulamenta a barriga de aluguel e, na prática, ampliaria a fiscalização, prevendo a proibição do uso por estrangeiros, que hoje respondem por cerca de 95% dos futuros pais.
  • A guerra afetou fortemente o setor, mas especialistas afirmam que a taxa de gestações por barriga de aluguel quase voltou aos níveis anteriores ao conflito.
  • Karina Tarasenko, 22 anos, está grávida de seis meses por meio de embrião de casal chinês; ela receberia 12,5 mil libras, valor que pode sofrer ajustes conforme o contrato.
  • Um casal britânico recorreu à BioTexCom, em Kiev, com custo de cerca de 65 mil libras, e relata ter tido uma experiência positiva apesar das dificuldades, vendo a prática como solução econômica.
  • Defensores da prática dizem que pode beneficiar famílias; críticos lembram casos de abandono de crianças e defendem maior regulamentação, citando situações como a de Wei, que vive em instituição estatal na Ucrânia.

Karina Tarasenko, 22, está grávida de seis meses de um embrião formado com óvulos e esperma de um casal chinês. A gestação é de barriga de aluguel remunerada, realizada após a jovem perder a casa em Bakhmut, no leste da Ucrânia, durante a ofensiva russa. Tarasenko vive nos arredores de Kiev, em apartamento disponibilizado pela clínica.

Ela não planejava recorrer à barriga de aluguel antes da guerra. Com a família desestruturada pela violência, decidiu pela prática para angariar dinheiro, pagar fraldas e alimentação da filha de um ano e meio e, acima de tudo, economizar para comprar uma casa. O pagamento acordado é de 12,5 mil libras, com a maior parte recebido após o parto.

Caso ocorra a necessidade, o segundo bebê previsto foi reduzido no contrato após a morte de um dos gêmeos, o que também impacta o valor final. Tarasenko pretende continuar como barriga de aluguel para alcançar estabilidade financeira, apesar das dúvidas iniciais.

Em debate no Parlamento ucraniano

A Ucrânia analisa um projeto de lei que aumentaria a fiscalização da indústria de barriga de aluguel, com a prática de estrangeiros basicamente proibida. Hoje, 95% das futuras famílias envolvem pais de fora. A proposta recebe apoio considerável no Parlamento.

O objetivo é regular um setor visto como mercantilização da reprodução e exploração de mulheres vulneráveis. Defensores argumentam que gerar filhos para estrangeiros, em meio à queda da natalidade causada pela guerra, é problemático, embora a prática responda por parcela pequena dos nascimentos.

Casos que chegam a Kiev

Wei, hoje com cinco anos, nasceu por barriga de aluguel em 2021 e vive em instituição estatal para crianças com deficiência em Kiev. O caso ocorreu via BioTexCom e os pais, de país do Sudeste Asiático, não mantêm contato com a família. A gestante também não tem responsabilidade legal sobre a criança.

Autoridades afirmam que muitas crianças nascidas por barriga de aluguel são abandonadas. O Ministério da Saúde argumenta que não é contra a prática, mas defende maior regulamentação e veto a estrangeiros. A BioTexCom descreve a situação como uma tragédia para as famílias envolvidas.

Opiniões de quem recorre à prática

Himatraj e Rajvir Bajwa, de Londres, recorreram à barriga de aluguel após anos de tentativas com FIV. O casal pagou cerca de 65 mil libras pela intervenção na Ucrânia, considerada inferior ao custo nos EUA. O embrião foi criado em Londres e enviado a Kiev, onde nasceu o bebê.

Eles defendem a experiência com a clínica e rejeitam a ideia de exploração. Afirma que o processo fez deles uma família e que o apoio da agência foi fundamental durante o período de bombardeios. O casal planeja acompanhar o filho ao retorno ao Reino Unido.

Perspectivas de Tarasenko

Tarasenko aponta que a decisão é pessoal e reforça que o corpo e a decisão são dela. Ela afirma desejar que a filha tenha uma boa vida, mesmo reconhecendo que o bebê não é genético de sua relação. A gestante também ressalta o custo da casa como motivação principal para continuar na prática.

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