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Leneide Duarte-Plon lança na França livro sobre general ligado à tortura

Edição francesa de livro expõe doutrina de Estado na tortura, exportada pela França para Argélia e ditaduras da América do Sul

Foto de arquivo do general Paul Aussaresses, então com 84 anos, ao lado da esposa, no restaurante Les Deux Palais, em Paris, pouco antes de chegar ao Palácio da Justiça da capital para o julgamento de um recurso relativo ao seu livro, no qual justificou o uso da tortura pelo exército francês na Argélia. 20 de março de 2003
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  • Leneide Duarte‑Plon lançou na França a edição em francês de “A tortura como arma de guerra – da Argélia ao Brasil” pela editora L’Harmattan; o livro já havia saído no Brasil em 2016 e foi traduzido para árabe, publicado na Argélia no ano passado.
  • A obra defende que a tortura foi doutrina de Estado francesa desde a Guerra da Argélia (1954‑1962) e foi exportada para ditaduras da América do Sul.
  • Entre as entrevistas destacadas, está a com o general francês Paul Aussaresses, que reconheceu o papel da França na institucionalização da tortura e confirmou participação brasileira no golpe no Chile.
  • A autora argumenta que, após o golpe de 1964, a doutrina do “inimigo interno” foi usada no Brasil para treinar as Forças Armadas no combate à população civil.
  • Em 2018, o presidente francês Emmanuel Macron reconheceu crimes de Estado na colonização argelina, o que, segundo a autora, abriu espaço para o debate histórico na França sobre esse passado.

Leneide Duarte-Plon lançou na França a edição francesa de A tortura como arma de guerra – da Argélia ao Brasil, pela editora L’Harmattan. O livro, originalmente publicado no Brasil em 2016, já tinha versões em árabe e Argélia, e agora chega ao público francês com base em documentos, entrevistas e pesquisa histórica.

A obra sustenta que a tortura foi uma doutrina de Estado, aplicada pela França na Guerra da Argélia (1954-62 e depois exportada para ditaduras da América do Sul. A autora destaca que o tema permanece atual no Brasil, tema que aborda em entrevistas diversas ao longo do livro.

Duarte-Plon viveu 24 anos em Paris, atuando como jornalista. Retornou ao Brasil no ano passado e dedicou parte de sua obra à análise de mecanismos de repressão estatal, incluindo a tortura. Entre os trabalhos está a coautoria de Um homem torturado, de 2014.

O livro reúne entrevistas com o general francês Paul Aussaresses, figura-chave da repressão na Argélia. Na posição de coronel, ele foi chefe da repressão e um teórico da tortura, execuções sumárias e desaparecimentos. Aussaresses reconheceu o papel da França nos métodos, sem demonstrar arrependimento.

A autora relata que Aussaresses confirmou a origem e a evolução da doutrina, incluindo a participação de governos estrangeiros, como o brasileiro, em contextos de repressão. O testemunho dele é apresentado como central para compreender a institucionalização da tortura.

Em entrevista à RFI, Duarte-Plon discute a circulação da violência entre conflitos coloniais e regimes sul-americanos. A jornalista explica como a teoria de Roger Trinquier influenciou a prática francesa na Argélia e depois serviu de molde para ações na América do Sul.

A obra afirma que a lógica do inimigo interno substituiu o inimigo externo após 1964 no Brasil, associando pessoas como padres progressistas, professores e militantes à repressão. Segundo o livro, a definição de guerra civil foi usada para justificar ações de Estado.

O livro teve demora na edição francesa, mas o reconhecimento de fragilidades do passado colonial ganhou espaço público na França. Em 2018, o presidente Macron reconheceu crimes de colonialismo e de tortura, fortalecendo o debate histórico no país.

Segundo Duarte-Plon, a decisão da editora francesa de manter o título original reforça o impacto da obra. O objetivo é evidenciar que governos franceses exportaram métodos de violência para outros contextos históricos.

Ao falar sobre o Brasil atual, a autora aponta que a anistia não revisada mantém espaço para que militares voltem a influenciar a arena política. Ela vê avanços na sociedade brasileira na construção de limites ao poder civil.

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