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Mãe de preso político morto sob custódia cobra respostas do governo venezuelano

Mãe de preso político morto em custódia cobra explicações do governo venezuelano; caso leva a investigações, exumação e pressão por transparência no sistema prisional

Carmen Navas, 82, junto ao túmulo do filho, Víctor Quero, detido e dado como morto pelas autoridades venezuelanas após mais de um ano de buscas, em cemitério de Caracas, em 7 de maio de 2026.
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  • Carmen Teresa Navas cobra explicações do governo venezuelano sobre a morte do filho, Víctor Hugo Quero Navas, preso político desde janeiro de 2025.
  • A versão oficial afirma que Quero Navas morreu em julho do ano passado, em decorrência de insuficiência respiratória associada a embolia pulmonar, após ser levado a hospital militar.
  • O governo disse que o corpo foi enterrado pelo Estado e, em seguida, exumado em Caracas, com a mãe reconhecendo o cadáver.
  • O Ministério Público abriu investigação criminal e determinou nova perícia e testes de DNA; a Defensoria Pública pediu investigação independente e transparente.
  • Organizações não governamentais pressionam por responsabilização de autoridades e revisão das condições carcerárias; Foro Penal aponta 457 presos políticos no país.

Carmen Teresa Navas, mãe de Víctor Hugo Quero Navas, cobra explicações oficiais sobre a morte do filho, preso político sob custódia do Estado. A confirmação do óbito foi divulgada pelo governo venezuelano na semana passada, cerca de 51 meses após o ocorrido. O caso reacende críticas ao sistema prisional do país.

A entrevista, concedida neste fim de semana à jornalista Maryorin Méndez, marca o primeiro contato público de Navas desde o reconhecimento do corpo. Ela descreveu o processo como extremamente doloroso e afirmou não ter tido autorização para visitar o filho durante o tempo em que ele esteve detido.

Quero Navas foi preso em janeiro de 2025. A família passou 16 meses buscando informações sobre o paradeiro e o estado de saúde dele, sem respostas claras, segundo a mãe. A Justiça já havia rejeitado, um dia antes da confirmação da morte, um pedido de anistia feito pela defesa.

Versão do governo

Segundo o governo, o preso estava em um complexo próximo a Caracas. O Ministério de Serviços Penitenciários disse que ele foi levado a um hospital militar com hemorragia digestiva e febre alta, tendo morrido em julho do ano passado por insuficiência respiratória associada a uma embolia pulmonar.

A administração afirmou ainda que não houve fornecimento de dados de familiares durante a detenção e que o corpo foi enterrado pelo Estado. No dia seguinte à confirmação, houve exumação do corpo em Caracas, com a participação de autoridades técnicas e da mãe, que reconheceu o filho.

Investigação e desdobramentos

O Ministério Público abriu investigação criminal e determinou nova perícia e testes de DNA. A Defensoria Pública pediu apuração independente, ressaltando a necessidade de transparência e responsabilização institucional.

Organizações não governamentais intensificaram a cobrança por esclarecimentos. O Observatório Venezuelano de Prisões pediu a demissão do ministro do sistema penitenciário, além de investigações sobre possíveis desaparecimentos forçados e ocultação de informações. O Provea também defende apuração de high-level colaboradores do sistema judiciário e penitenciário. Dados do Foro Penal indicam o número de presos políticos na Venezuela.

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