- O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o cessar-fogo com o Irã está “em vida útil” e que pode retomar escoltas navais de navios pelo estreito de Hormuz para tentar encerrar o bloqueio.
- Trump rejeitou as propostas de paz do Irã como “estúpidas” e afirmou não estar sob pressão interna para um acordo.
- Nos últimos dias, os EUA haviam apresentado condições para aliviar o conflito; o Irã respondeu com contrapropostas que foram rejeitadas.
- O plano de escolta de navios denominado Projeto Liberdade foi cancelado após pouco mais de dois dias, também enfrentando resistência da Arábia Saudita.
- O bloqueio mantém tensões e eleva o preço do petróleo; estima-se que cerca de 1,5 mil petroleiros e 20 mil tripulantes estejam retidos no Golfo de Omã.
Donald Trump disse que o cessar-fogo com o Irã está “em vida artificial” e considera retomar a escolta naval de navios pelo estreito de Hormuz para encerrar o bloqueio na rota estratégica. A declaração ocorre em meio a tensão e altas nos preços do petróleo.
O presidente afirmou ainda que rejeita as propostas de paz do Irã como inadequadas. Segundo ele, não há pressão interna para um acordo e o cessar-fogo vigente desde 7 de abril seria mantido sob revisão.
O governo americano já havia encerrado, na semana passada, o plano Project Freedom, que previa escoltas de petroleiros pela travessia, após pouco tempo de vigência. Washington pediu condições ligadas ao programa nuclear do Irã.
O Irã reagiu, enviando contrapropostas que Trump rejeitou de imediato. Em resposta, autoridades iranianas indicaram que as negociações ainda são possíveis, desde que as condições básicas sejam consideradas.
Maj Gen Mohammad Ali Jafari, ex-comandante da Guarda Revolucionária, sinalizou que não haveria novas negociações sem avanços em sanções, finanças bloqueadas, reparação de danos e reconhecimento da soberania do estreito.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã disse que as propostas iranianas são razoáveis e que as partes ainda podem chegar a um acordo. O governo apontou que a negociação pode avançar se houver abertura mútua.
Parlamentares iranianos apontaram que tarifas de trânsito propostas poderiam gerar cerca de US$ 15 bilhões ao ano, ajudando a estabilizar reservas estrangeiras. A afirmação não é verificada de forma independente.
O preço do petróleo subiu para acima de US$ 105 por barril, conforme o impasse se mantém. O cenário eleva a pressão para opções militares, ainda que com viés de não alteração da posição iraniana.
A tensão chega perto da cúpula de Trump com o presidente chinês Xi Jinping, marcada para ocorrer em Pequim. Pequim tem fortes vínculos com o Irã e não deve aceder a pedidos que limitariam compras de petróleo ou armas.
Enquanto isso, navios mercantes continuam buscando rotas alternativas para driblar os bloqueios no estreito. Grandes autoridades marítimas discutem um novo regime de passagem com medidas humanitárias para tripulações presas.
Em diálogo com o secretário-geral da IMO, o chanceler omanense e outras autoridades discutem medidas para manter passagem segura e aliviar a crise humanitária entre navios e tripulações. A IMO alerta para riscos de desabastecimento.
Estima-se que quase 1,5 mil petroleiros e 20 mil marítimos estejam retidos no Golfo, segundo a IMO. A organização aponta escassez de água, comida e combustível nas embarcações.
No Irã, cidades já anunciaram cortes de energia e afetados profissionais de saúde relatam redução de reservas de medicamentos. O impacto econômico também se amplia com interrupções digitais e custos diários de interrupções de internet.
À margem, o Reino Unido e França planejam reunião de ministros da Defesa para discutir contribuições a uma força multilateral de proteção naval no estreito, caso haja acordo entre EUA e Irã.
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