- O pesquisador Felipe Loureiro lança o livro Olhares ianques: a ditadura brasileira nos arquivos norte-americanos, com documentos inéditos dos Estados Unidos sobre o período de 1964 a 1985.
- A obra aponta que, enquanto a CNV cita cinco mil detidos semanas após o golpe, a Embaixada dos EUA estimou cerca de vinte e um mil presos em cinco estados, alterando a compreensão sobre a repressão.
- Documentos revelam planos de contingência norte-americanos, incluindo a possibilidade de intervenção militar e, ao fim, que a Operação Brother Sam não era apenas naval, mas envolvia cenários de desembarque de tropas.
- O livro mostra o amadorismo da investigação de João Figueiredo e como narrativas conspiratórias ligavam subversão, comunismo e corrupção a lideranças políticas, incluindo Juscelino Kubitschek.
- Entre os destaques, há relatos de torturas com participação de diplomatas americanos e uma conversa de Kissinger com Figueiredo em 1984, sobre condições para a abertura política e a preservação de anistias.
O pesquisador Felipe Loureiro lança nesta terça-feira o livro Olhares ianques: a ditadura brasileira nos arquivos norte-americanos, pela Companhia das Letras. A obra reúne documentos inéditos do Departamento de Estado dos EUA sobre o golpe de 1964 e o início da ditadura, trazidos à público após anos de pesquisa.
Segundo Loureiro, as cifras oficiais brasileiras não retratam a dimensão da repressão nos primeiros anos. Enquanto a CNV apontou 5 mil detidos, a Embaixada dos EUA estimou cerca de 21 mil presos em cinco estados em maio de 1964, ampliando a leitura sobre o período.
O livro mostra que planos de intervenção dos Estados Unidos existiam, incluindo a chamada Operação Brother Sam e uma frente de ações ainda pauta de discussões entre diplomatas. O material evidencia, ainda, uma atuação relutante de autoridades americanas diante de violações de direitos humanos.
A pesquisa também revela o que o autor descreve como “amadorismo” na verificação de denúncias contra figuras públicas, como Juscelino Kubitschek, usada por parte das Forças Armadas para defender narrativas conspiratórias sobre a oposição.
O epílogo acompanha uma reunião de 1984 entre Henry Kissinger e o então presidente João Figueiredo, na qual se discutia a abertura política e a manutenção de uma ala militar resistente a investigações sobre violação de direitos humanos. O trecho expõe condições colocadas pelos militares à transição democrática.
Entre os documentos analisados, Loureiro destaca relatos de corrupção generalizada reconhecidos por militares de alto escalão, além de percepções sobre tarefas políticas futuras, como a eleição de 1989, que influenciavam avaliações de líderes opositores.
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