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Brasil defende multilateralismo, mas se prepara para agir sozinho

Brasil defende o multilateralismo, mas se prepara para agir sozinho, priorizando acordos comerciais e pragmatismo diplomático

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  • O Brasil defende o multilateralismo, mas atua também para fechar acordos comerciais fora de fóruns multilaterais, para não ficar isolado.
  • Especialistas dizem que resultados eleitorais podem mudar rumos da política externa, mas o pragmatismo do Itamaraty tende a prevalecer nas decisões comerciais.
  • O governo tem avançado em acordos via Mercosul, como com a União Europeia, Singapura e a Associação Europeia de Livre Comércio, além de dialogar com o Japão; os textos seguem para avaliação legislativa.
  • A Organização Mundial do Comércio vive uma crise: o órgão de apelação está paralisado desde 2019 e há impasses entre Brasil, Estados Unidos e outros membros.
  • Mesmo com incertezas, analistas consideram provável continuidade do vínculo do Brasil com o sistema multilateral, ao mesmo tempo em que se busca alinhamento com novas dinâmicas geopolíticas.

O Brasil defende o multilateralismo, mas se prepara para agir de modo mais independente no cenário internacional. Especialistas apontam que o resultado eleitoral pode influenciar a linha de afastamento aparente, sem abandonar a prática de negociações comerciais.

A análise indica que o Itamaraty deve manter pragmatismo, negociando acordos fora de foros multilaterais quando necessário. Mesmo assim, o Brasil sinaliza manter o protagonismo dentro do Mercosul, buscando ganhos coletivos em grupo.

A umidade da crise do multilateralismo não impede o Brasil de avançar em acordos já negociados. Mercosul-UE e conversas com Vietnã aparecem como exemplos de atuação coordenada, com tramitação legislativa nos países envolvidos.

No mês anterior, Lula destacou ao Congresso dois novos acordos: com Singapura e com a Efta. Ambos já foram negociados via Mercosul e seguem para aprovação nos respectivos parlamentos. Negociações com o Japão também avançam.

Essa escolha de atuar pelo bloco reforça a ideia de ganho de barganha ao negociar com grandes potências como China e UE. Contudo, a velocidade de consenso do Mercosul pode gerar atrasos na ratificação de acordos.

OMC em paralisação e impactos

O funcionamento da OMC é visto como indicativo da crise do multilateralismo. O órgão de apelação está paralisado desde 2019, devido a bloqueios dos EUA, o que alimenta ações unilaterais em defesa de interesses nacionais.

Brasileiros destacam, porém, que o comércio internacional continua a operar dentro de regras previamente estabelecidas pela OMC. A discussão sobre subsídios agrícolas permanece, com resistência a medidas de dados digitais defendidas pelos EUA.

Especialistas divergem sobre o fim do multilateralismo. Ex-embaixador José Alfredo Graça Lima afirma que é cedo para concluir que o sistema acabou, destacando que o comércio global segue funcionando sob as mesmas bases.

Para Graça Lima, a visão europeia do multilateralismo é de comércio administrado, não apenas livre. Ele ressalta que 80% do comércio exterior brasileiro ainda funciona sob o mecanismo existente, mesmo com tensões geopolíticas.

Renê Medrado aponta que o mundo vive um intervalo histórico. Pode surgir um novo mecanismo de comércio em 10 ou 15 anos, mas o sustento do multilateralismo permanece relevante para o Brasil, que precisa olhar para todos os lados.

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