- A União Europeia atualizou a lista de países autorizados a exportar animais e produtos de origem animal, incluindo o Brasil, que passa a ficar de fora a partir de 3 de setembro de 2026.
- O governo brasileiro pretende reverter a decisão por meio de negociação com a UE, buscando manter o Brasil na lista e as exportações ao bloco.
- A decisão da UE tem relação com exigências sobre o uso de antimicrobianos na pecuária; o Brasil precisa apresentar garantias de que não há uso para fins de crescimento.
- O Brasil terá reunião com autoridades da Direção-Geral da Saúde e Segurança Alimentar (DG SANTE) e da Direção-Geral da Agricultura e do Desenvolvimento Rural (DG Agri) para esclarecer as motivações e avançar nas tratativas.
- Enquanto não entrar em vigor a nova lista, as exportações seguem normalmente, e o governo continua buscando medidas para evitar interrupções futuras.
O Ministério da Agricultura informou que o Brasil poderá negociar com a União Europeia para evitar a suspensão das exportações de produtos de origem animal. A UE retirou o Brasil da lista de países autorizados a vender animais e derivados ao bloco a partir de 3 de setembro de 2026.
O anúncio foi feito pelo ministro André de Paula, em Brasília. Ele destacou que o governo vai atuar para reverter a decisão e manter o Brasil na lista que garante acesso ao mercado europeu. A expectativa é manter o fornecimento aos europeus como nos últimos 40 anos.
A decisão da UE ocorreu nesta terça-feira, após aprovação do Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia. A nova lista define quais países cumprem as exigências sanitárias para exportar ao bloco a partir de setembro.
Detalhes da negociação
A Delegação brasileira à UE deverá se reunir, na sequência, com autoridades sanitárias da DG SANTE para esclarecer a medida. O objetivo é avançar o diálogo e formalizar a contestação do Brasil sobre as exigências.
De Paula informou que o governo foi surpreendido pela amplitude da decisão. O Brasil tentava uma transição para o uso responsável de antimicrobianos na pecuária bovina, sem imaginar que a restrição abrangeria todas as proteínas animais, aves, mel, ovos e carne bovina.
O ministro ressaltou que havia expectativa de auditoria europeia ao Brasil em junho, em tratativas para a reabertura do pescado. A reunião pode ser afetada pela retirada da lista, o que complica o cronograma de negociações. Enquanto isso, as exportações seguem acordo vigente até 3 de setembro.
O secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luis Rua, afirmou que a exportação permanece normal por ora. A medida pode vigorar a partir de 3 de setembro, mas as tratativas continuam para revertê-la. O Brasil tem enviado informações à UE desde outubro do ano passado.
Rua explicou que a retirada surpreendeu pela falta de clareza sobre as informações apresentadas e pelo impacto em outros setores de proteína animal. A reunião com a delegação brasileira deve esclarecer motivações e próximos passos.
De Paula disse que o tema envolve interesses de Mercosul e UE e que o diálogo busca equilíbrio entre as partes. Ele mostrou disposição para avançar nas tratativas para preservar os acordos comerciais.
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