- Na COP30, as florestas ganharam papel central na implementação do Acordo de Paris, com o objetivo de zerar o desmatamento até 2030.
- O mapa do caminho para o desmatamento zero, lançado pela iniciativa brasileira, já mobilizou 141 países, responsáveis por mais de 65% das emissões globais, e recebeu mais de 150 contribuições de organizações, povos indígenas, sociedade civil e setor privado.
- O principal desafio é a fragmentação de iniciativas; há muitos tratados e mecanismos, mas falta uma lógica comum de execução, e o mapa pretende conectar o que já existe para orientar trajetórias nacionais.
- O mapa tem potencial de conectar mitigação, adaptação e financiamento do Acordo de Paris, desde que seja tratado como plataforma viva e não apenas como documento, com continuidade além da atual presidência brasileira.
- O Brasil traz exemplos em controle de desmatamento, monitoramento em tempo real e instrumentos econômicos, e a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica pode disseminar essas práticas na bacia amazônica.
O mapa do caminho para o desmatamento zero, lançado pela presidência brasileira ao fim da conferência, ganha agora status de plataforma global. A ideia é conectar monitoramento, financiamento e ações de combate ao crime ambiental até 2030.
Na COP30, as florestas passaram a ocupar espaço central na implementação do Acordo de Paris. O objetivo é zerar o desmatamento até 2030, fortalecendo a governança climática com um instrumento próprio para florestas.
O esforço já reúne adesão significativa. Em abril, a chamada aberta contou com 141 países, responsáveis por mais de 65% das emissões globais, além de mais de 150 contribuições de organizações internacionais, povos indígenas, sociedade civil e setor privado.
Apesar do engajamento, o mapa não integra formalmente as negociações da ONU. A transição de presidência brasileira para a da Turquia, sede da próxima COP, pode influenciar o andamento, com a Austrália liderando as conversas.
A iniciativa pode seguir paralelamente, como ocorreu com a transição energética, que já iniciou discussões próprias na Colômbia. O objetivo é manter o impulso enquanto se define um caminho coeso.
O calendário climático-ambiental de 2026 prevê etapas relevantes. Nesta semana, há possibilidade de reconhecimento do mapa em uma resolução do Fórum da ONU sobre Florestas, em Nova York.
Em junho, as sessões preparatórias da COP em Bonn podem conectar o mapa ao Balanço Global, mecanismo de avaliação das metas climáticas. Desertificação e biodiversidade, no segundo semestre, também podem ampliar o uso transversal.
O Brasil destaca que o mapa precisa de tradução regional e nacional. O país apresenta exemplos de controle do desmatamento, monitoramento em tempo real e instrumentos econômicos que podem ser disseminados.
A Organização do Tratado de Cooperação Amazônica pode levar boas práticas da Amazônia para a região, conectando prevenção do crime ambiental, governança fundiária, financiamento da natureza e bioeconomia.
Portanto, entregar o mapa para o desmatamento zero não encerra o processo. A proposta é transformá-lo em uma plataforma multilateral permanente, conectando o que já existe antes que a janela de 2026 se feche.
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