- A Bienal de Veneza de 2026, em “In Minor Keys”, abre com um poema de Refaat Alareer, poeta palestino morto em Gaza em dezembro de 2023, que virou lema para o movimento pró-palestino.
- Obras que tratam diretamente do conflito incluem The Garden of the Broken-Hearted, de Theo Eshetu, com uma oliveira em palanque giratório; No Shelter 12-29, de Mohammed Joha; GENOCIDE, de Manuel Mathieu; e Between a River and a Sea, de Avi Mograbi.
- Houve protestos durante a abertura contra a participação do Pavilhão de Israel; a intervenção mais direta sobre o tema ficou fora dos pavilhões oficiais, mas houve ações de artistas e curadores ao longo do evento.
- O trabalho Elegy, de Gabrielle Goliath, originalmente para o Pavilhão da África do Sul, foi alvo de censura do ministro de Cultura local por incluir uma saudação a poetas palestinos; a peça foi apresentada posteriormente em Sant’Antonin, em Veneza.
- No Palazzo Mora/Bembo, o Palestine Museum US apresentou Gaza—No Words—See the Exhibit, com cem works de tatreez, formando o Gaza Genocide Tapestry, como parte da participação não oficial da Palestina na mostra.
O 2026 Venice Biennale apresenta a mostra principal In Minor Keys, no Arsenale. Um poema de Refaat Alareer, morto em Gaza em 2023, recebe destaque como abertura simbólica, conectando o endurecimento do conflito à curadoria da mostra. O tom é de luto e de denúncia.
A curadoria aborda o conflito com peso histórico, deixando claro que Gaza e outras feridas recentes perpassam várias obras. A presença de obras que tratam do tema é marcada pela busca de memória e de questionamento sobre violência estrutural na região.
Entre as obras de destaque, The Garden of the Broken-Hearted de Theo Eshetu exibe uma oliveira viva num estrado com vídeo da árvore em natureza. O artista diz que a peça não é literal nem apenas simbólica, mas busca um espaço de contemplação sem narrativas culturais tradicionais.
Eshetu relatou ao Art in America que a obra conversa com a ideia de luto diante de tragédias recentes, refletindo sobre o presente e as dificuldades de criação em tempos de crise. A obra integra a linha curatorial que reverbera o tema central da exposição.
Outras obras, com ligações diretas ao conflito, aparecem na avaliação de críticos. Mohammed Joha apresenta aquarelas de paisagens de Gaza e Manuel Mathieu expõe uma pintura mista intitulada Genocide, com uma costa marcada pelo correspondente tom de violência. Avi Mograbi apresenta Between a River and a Sea, com vídeos que remontam a diretórios comerciais de 1938 e buscas por Gaza em 2023.
A abertura gerou protestos de artistas e pavilhões, com críticas à participação do Pavilhão israelense. Mesmo assim, grande parte das leituras mais contundentes sobre o conflito ficou fora dos espaços oficiais da Bienal.
No entanto, mudanças significativas vêm de manifestações anteriores. Gabrielle Goliath, autora de Elegy, cuja versão anterior homenageia femicídios e genocídios históricos da África do Sul, tentou adaptar a obra para incluir Hiba Abu Nada, poeta palestina morta em 2023, levando a intervenção a ser substituída pela delegação sul-africana. A busca pela reinstalação levou a ações judiciais sem sucesso até o momento.
Para contornar a censura, organizações artísticas se uniram para apresentar a obra no Palazzo Chiesa di Sant’Antonin, pela Igreja de Sant’Antonin, com o apoio da Patriarcado de Veneza. A versão palestina de Elegy ocupa várias telas, reforçando a prática de luto coletivo em espaço sagrado.
O movimento Art Not Genocide Alliance (ANGA) divulga panfleto que classifica obras de solidariedade à Palestina, incluindo a nova iteração de Elegy. O material circula entre espaços de ativismo cultural, como Sale Docks, destacando críticas a políticas de apoio internacional a Israel.
Paralelamente, o colectivo Taring Padi apresenta Fate de banners com “People’s Liberation”, produzido com o Institute of Radical Imagination. A mostra reproduz símbolos de resistência e chama à organização autônoma, integrando a linha de obras que remontam a experiências de Documenta e ações de protesto.
Além disso, obras de Mosaab Abusal de Gaza são apresentadas em carvão, retratando traumas de forma documental e expressiva. O jovem artista ressalta que o material não representa a realidade, mas registra a experiência de violência enfrentada em Gaza.
Na programação paralela, o Palestine Museum US apresenta, no âmbito da Personal Structures, a exposição Gaza—No Words—See the Exhibit, com cento de trabalhos de tatreez, bordados palestinos, criados por mulheres refugiadas. A instalação compõe o mosaico visual da produção têxtil como narrativa de resistência.
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