- Macron encerrou o Sommet Africa Forward em Nairóbi, apresentando uma “relação renovada” entre a França e a África com foco em segurança, migração e diásporas.
- Ele disse que os investimentos de € 23 bilhões na África representam uma “revolução” na parceria econômica, com ênfase na geração de empregos e melhoria das condições de vida.
- A França anunciou a reestruturação da presença militar no Sahel, fechando bases, reduzindo outras e mantendo apenas estruturas operando de forma conjunta, algumas com nomes africanos.
- Na migração, Macron defende diálogo honesto e citou os “passaportes talento” para facilitar vistos a investidores, empresários e profissionais qualificados, africanos ou europeus.
- Sobre patrimônio cultural, destacou a restituição de obras africanas a países como Benim, Senegal, Costa do Marfim e Madagascar, ressaltando a importância para a relação com a juventude africana na diáspora, estimada em cerca de 17 milhões de pessoas.
Em Nairobi, no Quênia, o presidente francês Emmanuel Macron encerrou nesta terça-feira o Sommet Africa Forward, encontro que reuniu cerca de 40 chefes de Estado e de governo. O objetivo oficial foi consolidar uma relação renovada entre França e África, com foco em segurança, migração e valorização das diásporas.
Em entrevista à RFI, France 24 e TV5 Monde, Macron defendeu uma parceria de igual para igual e apresentou uma agenda estratégica. O pacote privilegiaria a reestruturação da presença militar francesa no Sahel, o diálogo sobre migração e o papel das comunidades africanas na França.
O presidente destacou ainda um anúncio recente de 23 bilhões de euros em investimentos franceses na África, apresentado como uma mudança significativa na relação econômica bilateral, com ênfase na geração de empregos e melhoria das condições de vida locais.
Nova presença francesa
Macron afirmou que Paris mudou a estratégia militar no Sahel, ajustando-a às demandas dos países africanos. Base militar existente é mantida apenas onde há cooperação direta, com reduções de instalações e rebatização de algumas em nomes africanos.
O foco é uma parceria mais equilibrada, na qual os países africanos definem as necessidades de segurança. A ideia é repensar toda a arquitetura de presença militar para que funcione de forma conjunta e com maior legitimidade local.
Política migratória e restituição de patrimônio
No campo migratório, o presidente defendeu um diálogo mais claro entre controle de fronteiras, proteção de valores e atração de talentos. O conceito de passaportes talento foi citado como facilitador de vistos para investidores, empresários e profissionais qualificados.
Macron também ressaltou a restituição de obras de arte africanas, considerada essencial para encerrar ciclos coloniais. Entre os exemplos, citou tesouros devolvidos ao Benim, ao Senegal, à Costa do Marfim e a Madagascar, indicando impacto cultural positivo.
Diásporas africanas na França
Ao encerrar a entrevista, Macron destacou o papel das diásporas na França, em especial a juventude. Estima-se que cerca de 17 milhões de pessoas integrem redes africanas ligadas à França, segundo o presidente, o que representa uma linha de desenvolvimento para ambos os lados.
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