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Refinarias chinesas ajudam Irã a enfrentar sanções dos EUA

Refinarias independentes da China mantêm suprimento de petróleo iraniano sancionado, elevando tensão com os EUA e a segurança energética chinesa

As chamadas "refinarias bule" desempenham um papel crucial no comércio de petróleo sancionado
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  • Refinarias independentes na província de Shandong processam petróleo iraniano sancionado para abastecer a China, transformando-o em gasolina, diesel e petroquímicos.
  • O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos incluiu 12 pessoas e entidades numa lista negra por facilitar a venda e envio de petróleo iraniano para a China; Pequim ordenou que empresas ignorem as sanções contra as refinarias.
  • O petróleo iraniano respondia por cerca de 13% das importações marítimas da China, subindo para 18% no último ano, em meio a interrupções no Estreito de Ormuz.
  • A rede envolve várias refinarias, incluindo a Hebei Xinhai, sancionada há um ano, e a Hengli Petrochemical, sancionada recentemente; o setor é conhecido como “refinarias bule”.
  • Dados de rastreamento e imagens de satélite apontam para operações no “porto externo oriental” e transferências entre navios-tanque que chegaram a portos chineses, apesar do bloqueio naval dos EUA.

A China mantém uma rede de refinarias independentes que processam petróleo iraniano sancionado, ajudando Teerã a contornar sanções americanas. Pequim também orienta empresas a ignorarem restrições de Washington, mantendo o fluxo de combustível para a segunda maior economia do mundo.

No litoral da província de Shandong, dezenas de tanques e refinarias bule operam com permissão estatal para converter petróleo bruto iraniano em gasolina, diesel e petroquímicos. O complexo movimenta volumes significativos para o consumo chinês.

Rede de refinarias e motivações

Essas refinarias menores, chamadas de bule, têm margens estreitas e obtêm descontos em petróleo de origem iraniana, venezuelana e russa. Elas ajudam a manter o suprimento estável e reduzir impactos de bloqueios internacionais.

Na prática, o governo chinês ordenou que empresas não cumpram sanções americanas contra refinarias, fortalecendo uma rede de transações que envolve navios-tanque de “frota fantasma” para ocultar a origem das cargas.

Interesses e tensões

A situação ocorre enquanto Washington busca cortar o apoio financeiro ao Irã e pressionar Teerã a encerrar conflitos regionais. A China, por sua vez, busca manter estabilidade na relação com os EUA e, ao mesmo tempo, manter laços econômicos com o Irã.

O Departamento do Tesouro dos EUA indicou pessoas e entidades envolvidas na venda e envio de petróleo iraniano à China, ampliando sanções direcionadas a esses agentes.

Ocaso e vigilância marítima

No Mar Arábico, forças americanas perseguem navios que transportam petróleo iraniano para a China, em operações de fiscalização para impedir a venda de cargas sancionadas. Portos chineses próximos a Shandong recebem parte desses carregamentos.

Observa-se também uma intensificação de operações de fiscalização e de controles, com o objetivo de monitorar o fluxo de petróleo através de rotas concorridas entre o Irã e a China.

Um caso específico: Hebei Xinhai

A Hebei Xinhai Chemical Group opera uma refinaria sancionada pelos EUA há cerca de um ano. A instalação fica no polo portuário industrial da Hebei, próxima a Shandong.

Guardas e veículos com identificação da empresa acompanharam a área, dificultando a obtenção de imagens. A Hebei Xinhai integra a lista negra dos EUA por suposta compra de petróleo ligado a atividades militares iranianas.

Fontes e impactos

Analistas apontam que a indústria de Shandong recebe parte das importações iranianas, com refinarias menores assegurando matéria-prima para o abastecimento interno. Em março e abril, portos da região receberam grandes volumes diários de petróleo iraniano.

Ainda segundo especialistas, a China não constata oficialmente compras de petróleo iraniano em seus dados alfandegários, mas reconhece a oposição a sanções unilaterais. A rede bule continua operando, com riscos regulatórios elevados.

O caminho do petróleo até a China

De portos iranianos, o petróleo segue por vias que incluem o EOPL, o limiar oriental do porto de Singapura, onde ocorre transferência entre navios-tanque. Em muitos casos, as cargas aparecem como oriundas de terceiros países.

Dados de satélite e rastreadores indicam transferências entre embarcações no EOPL, seguido de negociações com terminais na China. A sequência tem sido repetida em diferentes ocasiões, com vigilância contínua das autoridades.

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