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Ruanda investe em turismo de luxo para lidar com a memória do genocídio

Ruanda aposta no turismo de luxo para reposicionar a memória do genocídio; receita sobe de US$ 400 milhões para US$ 690 milhões desde 2017

Gorila no Parque Nacional dos Vulcões, em Ruanda. Credito Pedro Sagesser/Arquivo pessoal
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  • Ruanda investe em turismo de luxo desde 2017 para reo posicionar a imagem após o genocídio de 1994.
  • A estratégia inclui patrocínios esportivos e investimentos de redes hoteleiras internacionais, além de promover o país como destino seguro e sofisticado.
  • A receita do turismo saltou de US$ 400 milhões para cerca de US$ 690 milhões desde o início da campanha Visit Rwanda.
  • A principal atração continua sendo o trekking para observação de gorilas-das-montanhas, com tarifas em torno de US$ 1.500 por pessoa.
  • Críticas apontam que o modelo reduz a abertura a dissidências, mantendo o governo de Paul Kagame, que promove iniciativas como o umuganda, dia de serviços comunitários.

Nos últimos anos, Ruanda concentrou seu investimento no turismo de luxo para redesenhar a memória internacional relacionada ao genocídio de 1994. A estratégia envolve patrocínios esportivos, atuação de grandes redes hoteleiras internacionais e a promoção de experiências exclusivas em territórios do país.

Desde 2017, a campanha Visit Rwanda ganhou visibilidade global ao aparecer em uniformes de equipes como Arsenal e PSG. O objetivo é associar Ruanda a estabilidade, organização e alto padrão, destacando Kigali como hub de infraestrutura, gastronomia e atrações internacionais.

A mudança de imagem acompanha números do setor. A receita do turismo, segundo autoridades locais, saltou de cerca de US$ 400 milhões para aproximadamente US$ 690 milhões desde o início da estratégia. O foco é atrair viajantes com alto poder aquisitivo que buscam experiências únicas.

Atrações e modelo de negócios

O trekking para observação de gorilas-das-montanhas permanece como principal atração, na região vulcânica. Há também passeios de observação de savanas e atividades de ecoturismo, com infraestrutura que inclui hotéis sofisticados e opções de lazer. A liderança do turismo é enfatizada por autoridades locais.

A representante do setor afirma que Ruanda oferece uma duração de viagem de 7 a 10 dias com acesso a diversidade de paisagens em um único itinerário. O país destaca ainda que detém uma parcela relevante da população de certas espécies de fauna do continente.

Custos e custos de conservação

O modelo de turismo adotado privilegia experiências de alto valor, com menor fluxo de visitantes para manter padrões. A visita aos gorilas custa em torno de US$ 1.500 por pessoa, custo apresentado como ferramenta de sustentabilidade e conservação. A gestão justifica o preço pela preservação de habitats e pela qualidade do serviço.

No governo desde 2000, o presidente Paul Kagame apresentou mudanças Constitucionais e legais para evitar discussões étnicas, após o genocídio. Autoridades destacam o programa umuganda, quando cidadãos participam de obras públicas como forma de coesão social.

Contexto regional e críticas

Especialistas ressaltam que a estratégia resultou em-Ruanda um dos ambientes mais seguros do continente. Contudo, críticos apontam que o foco em luxo pode mascarar limites à dissidência política e a liberdades. As avaliações indicam que o país continua a evoluir seu crédito externo e interno.

O posicionamento internacional de Ruanda segue centrado na imagem de destino estável e organizado. Os investimentos na marketing e na infraestrutura sinalizam continuidade de uma política de turismo orientada por alto valor agregado. Fontes oficiais citam resultados consistentes desde 2017.

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