- Donald Trump viajou para Pequim para encontro de dois dias com Xi Jinping, primeira visita presidencial dos EUA desde 2017, com pautas de comércio, Taiwan, IA, controle nuclear e repressão de dissidentes, além da relação com o Irã.
- Espera-se criação de fóruns bilaterais permanentes para gerir comércio e investimentos, incluindo um Conselho de Comércio e um Conselho de Investimentos, com compromissos de compra de produtos agrícolas e energia pelos chineses; possível encomenda de até 500 aeronaves Boeing 737 Max.
- Taiwan aparece como tema sensível; Pequim quer reduzir a cooperação de Washington com Taipei, enquanto Trump indicou que discutiria venda de armas dos EUA à ilha durante a cúpula.
- Irã deve figurar na pauta, com a expectativa de que Washington peça a Xi que pressione Teerã por um acordo que encerre o conflito e reabra o Estreito de Ormuz; sanções a chinesas associadas a petróleo iraniano também estão em foco.
- Além de questões econômicas, a reunião pode tratar de minerais críticos, IA e controle nuclear, além de casos de presos americanos na China e repressão religiosa, com possíveis avanços ou sinalização de flexibilidade em várias frentes.
O presidente dos EUA, Donald Trump, viaja à China para encontro de dois dias com Xi Jinping, em Pequim. O objetivo é discutir comércio, Taiwan, IA, controle nuclear e pressão sobre o Irã, no contexto de tensões entre as duas maiores economias. A reunião foi remarcada de março para este mês.
Trump chega em meio a uma trégua parcial na guerra tarifária entre EUA e China, firmada em 2025. A agenda é densa, com foco em estabelecer canais de negociação estáveis e reduzir ciclos de escalada entre as duas potências.
Acompanhando o presidente, estão executivos de peso do setor privado, como Elon Musk, Tim Cook, Kelly Ortberg, Larry Fink, Stephen Schwarzman e Larry Culp, entre outros 16. A presença sinaliza expectativa de acordos comerciais relevantes.
Panorama econômico e debatedores
Especialistas veem sinal positivo na retomada do diálogo entre Washington e Pequim, mas alertam para resultados possivelmente simbólicos se não houver compromissos robustos. A agenda inclui criação de fóruns bilaterais permanentes.
Haverá propostas para um Conselho de Comércio e um Conselho de Investimentos, buscando institucionalizar a relação econômica. China deve anunciar compras de produtos agrícolas e de energia dos EUA, conforme apuração da Reuters.
Um dos grandes negócios esperados é um pedido de até 500 aeronaves Boeing 737 MAX, considerada a maior encomenda da história. A notícia, se confirmada, marcaria marco importante após casos de 2017.
Taiwan e sinalizações de segurança
Taiwan figura entre os temas mais sensíveis. A China considera a ilha como questão de soberania e demanda que os EUA reduzam o apoio a Taipei. Washington tem se mantido cauteloso, mas sinaliza discussões com Xi sobre o tema.
Trump declarou que falará com Xi sobre a venda de armas a Taiwan, o que aumenta incertezas sobre a linha de apoio à ilha. A Casa Branca ainda não definiu mudanças claras na política de defesa de Taiwan.
Analistas destacam que a composição da delegação dos EUA pode indicar a ênfase do tema. A presença de autoridades de defesa pode restringir concessões a Taiwan; caso o enfoque seja econômico, tende-se a maior flexibilidade externa.
Irã e cenários de segurança
A guerra no Oriente Médio, com atuação dos EUA, Israel e Irã, deverá influenciar as conversas. Trump pode pedir que Xi use influência para pressionar Teerã por um acordo que encerre o conflito e permita a reabertura do Estreito de Ormuz.
Sanções e acusações de empresas chinesas ligadas ao Irã já foram impostas pelos EUA, antes da visita. Pequim reforça que busca saída negociada para o conflito, mantendo canais econômicos com Teerã.
Especialistas do CFR apontam que Xi aposta em manter o Irã como aliado estratégico sem pressionar demais, para não prejudicar a relação com Washington. A China também atua para ampliar influência global enquanto não rompe com Teerã.
Minerais críticos, IA e controle nuclear
A reunião deve abordar minerais críticos e terras raras, itens estratégicos para tecnologia e defesa. A China domina o processamento de grande parte desses materiais, o que alimenta dependência norte-americana.
Na área de IA, EUA possuem vantagem de tempo estimada em meses sobre a China. Pequim busca reduzir essa distância, condicionando o acesso a semicondutores com concessões em outras frentes.
No front nuclear, o fim do acordo New START deixou o cenário sem marcos formais entre EUA e outras potências. Trump defende novo acordo que inclua a China, mas Pequim vê pouca motivação para negociar limites neste momento.
Prisões, direitos e tensões religiosas
Trump prometeu tratar também de presos políticos na China, como Jimmy Lai, condenado a 20 anos, e do pastor Jin Mingri, líder da Igreja Zion. A repressão a religiosos tem ganhado atenção internacional, com recomendações de sanções.
A USCIRF recomenda designar a China como “país de preocupação particular” e ampliar restrições de visto por violações de liberdade religiosa. Washington sinaliza abertura para possibilidade de liberação humanitária de dois americanos presos.
Entre os casos mencionados, Dawn Hunt e Nelson Wells Jr. estão entre os cidadãos americanos com processos contestados. Pequim teria indicado abertura para discussões sobre eventual libertação, condicionada a interesse visível de Washington.
Expectativas e leitura de especialistas
Analistas destacam que a pauta pode ser ampla, com foco em economia, comércio, cadeias de suprimentos e investimentos, mas não exclui temas geopolíticos como Irã e IA. A percepção global do encontro depende da clareza dos compromissos anunciados.
Para Denilde Holzhacker, a cúpula tende a buscar equilíbrio entre ganhos econômicos e sinais de estabilidade internacional, em meio a desgaste político interno de Trump e cautela de Xi, que preserva relação estável com o cenário externo. Fonte: CFR.
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