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Trump retorna a Pequim após nove anos, visto como o lado mais fraco

Trump chega a Pequim como o lado menos dominante; a China usa terras raras para ampliar sua influência no cenário internacional

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  • Trump retorna a Pequim como o lado mais fraco na leitura atual das relações, em meio a uma virada em que Xi Jinping se coloca como unidade dominante frente ao Ocidente.
  • Xi acredita que o Ocidente está em declínio e que a China pode liderar uma nova ordem internacional mais alinhada aos seus interesses.
  • O movimento vem de duas décadas de mudanças, começando com o discurso de 2005 do diplomata Robert Zoellick, que defendia a China como “stakeholder responsável” no sistema global.
  • Os EUA passaram a retirar-se de organismos internacionais e acordos, e a reduzir parcerias com aliados, enquanto tensionam com a China em áreas estratégicas como tecnologia e comércio.
  • A dependência chinesa de terras raras – minerais críticos para tecnologia militar e industrial – sustenta a capacidade de Pequim de influenciar o equilíbrio global, incluindo o papel conjunto de Washington e Pequim na ordem mundial.

A visita de Donald Trump a Pequim marca uma guinada surpreendente na relação entre EUA e China. Nove anos depois do encontro de Xi Jinping com Trump, que incluiu jantar na Cidade Proibida e demonstrações públicas de parceria, o tom está de reversão. Hoje, Xi parece confiar que o Ocidente está em declínio e que a China pode ampliar sua voz no cenário global.

A visita ocorre em meio a mudanças profundas na política externa americana. Washington tem reduzido a participação de organismos internacionais, suspenso a participação de órgãos de direitos humanos e reorientado parcerias. Além disso, há uma insistente campanha de distanceamento de regimes que contestam a agenda dos EUA. O momento reflete uma ruptura com a premissa de integração da China ao sistema internacional.

A leitura de Kissinger sobre a ordem global ajuda a entender o pulso deste momento. Segundo o diplomata, a estabilidade deriva da aceitação da legitimidade do sistema pelas grandes potências. Quando uma potência recusa esse papel e busca substituir as regras, o sistema entra em crise. Trump e Xi aparecem aqui como figuras que podem impulsionar uma arquitetura paralela, mesmo sem envolver-se em uma guerra aberta.

Contexto estratégico

A China construiu, ao longo de duas décadas, uma rede de dependências que amplia seu poder de barganha. Entre os elementos centrais estão as terras raras, minerais imprescindíveis para tecnologia militar moderna e para a indústria de defesa. A China domina a mineração e a refinaria, respondendo por grande parte da demanda global e fortalecendo a posição de Pequim em negociações estratégicas.

Tensões comerciais e acordos

Em 2023, Pequim adotou regras de exportação mais rígidas, impactando empresas americanas. Em retaliação, os EUA impuseram tarifas. O saldo foi temporariamente aliviado com a suspensão de parte das restrições, válida por um ano. Esse ciclo de pressões destaca a interdependência tecnológica entre as duas nações.

Olhar para a cúpula

A aproximação entre Trump e Xi ocorre num cenário de desfiar de alianças ocidentais e de mudanças no equilíbrio de poder. A dupla revoluciona a forma de compreender a governança global, ao combinar interesse nacional com uma visão de cooperação estratégica que pode redefinir a ordem internacional.

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