- Dois relatórios divulgados nesta semana apresentam denúncias de abusos sexuais no conflito entre Israel e Hamas: a Comissão Civil de Israel afirma que o Hamas utilizou violência sexual de forma deliberada e sistemática como parte de sua ofensiva, mirando mulheres, reféns e menores.
- Testemunhas citadas pelo The New York Times relatam violência sexual por agentes de segurança israelenses contra palestinos, incluindo homens, mulheres e crianças.
- Os relatos dizem que os abusos ocorreram durante os ataques de 7 de outubro, em locais como o Festival de Música Super Nova e em bases militares, com episódios na presença de familiares.
- Um relatório da ONU, de 2024, aponta motivos razoáveis para acreditar na violência sexual relacionada ao conflito, incluindo estupro e estupro coletivo.
- O jornalista Nicholas Kristof, no The New York Times, afirma que não há evidência de ordens de estupro por líderes israelenses, mas aponta que houve um aparato de segurança em que a violência sexual se tornou parte dos maus-tratos a palestinos.
Na semana em que dois relatórios lançaram novas denúncias, o abuso sexual passa a figurar como parte central do conflito entre Israel e o Hamas. Enquanto Israel e o Hamas negam as acusações, as acusações de violência baseada em gênero ganham atenção internacional.
Dois relatos detalham episódios ocorridos em 7 de outubro de 2023 e nos meses seguintes, envolvendo as partes em conflito na Faixa de Gaza e em áreas sob controle israelense. As descrições apontam uso sistemático de violência sexual como estratégia de guerra, conforme as fontes.
A Comissão Civil de Israel, organização não governamental, divulgou uma investigação de dois anos. O documento afirma que o Hamas utilizou violência sexual de forma deliberada e sistêmica, visando mulheres, reféns e menores, como parte de sua ofensiva.
Pelo lado palestino, testemunhas contadas ao The New York Times relataram violência sexual cometida por agentes de segurança israelenses. O jornal descreve um padrão de abusos por soldados, colonos e guardas prisionais contra palestinos, incluindo crianças.
O que aconteceu, onde e quando
Segundo o relatório de Israel, abusos ocorreram em áreas ligadas aos ataques de 7 de outubro, em locais como um festival de música e bases militares, além de incidentes na presença de familiares. As descrições incluem estupros, torturas e execuções.
As vítimas relatadas pela comissão israelense incluem mulheres, homens e crianças que teriam sofrido violência sexual durante ou após os ataques. O documento afirma ainda que as agressões visaram causar dor extrema e medo entre a população alvo.
Verificações, fontes e respostas
Além do material documental, o relatório cita vídeos e depoimentos de centenas de testemunhas, além de relatos de reféns israelenses libertados. A defesa do Hamas nega as acusações.
O jornalismo da equipe de Kristof no NYT compilou relatos de 14 pessoas que teriam sido válidas vítimas de violência sexual por parte de colonos ou forças israelenses. O Ministério das Relações Exteriores de Israel classificou as acusações como difamatórias.
Organização internacional e direitos humanos
Um relatório da ONU, publicado em 2024, indicou motivos para crer na ocorrência de violência sexual relacionada ao conflito, sem concluir uma investigação completa. A representante de violência sexual em conflitos destacou preocupações sobre tratamentos degradantes em detenção de palestinos.
Relatos de organizações não governamentais, como Save the Children, indicam que crianças palestinas detidas podem ter enfrentado violência sexual, com a subnotificação agravando a dimensão do problema. Outras entidades, como B’Tselem e o Centro Palestino de Direitos Humanos, também mencionam abusos repetidos.
Conclusões e nuances
Autoridades israelenses reiteram que não há evidência de que líderes ordenassem estupros, mas reconhecem a complexidade de apurar tais crimes em um conflito ativo. Um relatório da ONU apontou que a dimensão total dos abusos pode levar meses ou anos para ser reconstruída com precisão.
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