- Sam Altman depôs em Oakland, na Califórnia, no julgamento movido por Elon Musk, contando que questionaram quem ficaria com o controle da OpenAI caso Musk morresse, e ele respondeu que poderia passar aos filhos.
- O depoimento remete a 2017, quando os fundadores discutiam criar uma subsidiária com fins lucrativos; Musk queria controle total, mas recusou colocar o acordo em contrato, gerando atrito com os demais fundadores.
- Altman disse que Musk chegou a propor ficar com noventa por cento do capital, mas mesmo com recuo, a exigência de maioria não foi abandonada.
- O CEO da OpenAI afirmou que a organização não busca concentração de poder e que ninguém deveria ter controle absoluto sobre uma IA de nível humano.
- O processo, iniciado em dois mil e vinte e quatro, questiona se a OpenAI abandonou a missão sem fins lucrativos; Musk pede US$ cento e cinquenta bilhões em indenização e a destituição de Altman e do presidente Greg Brockman, com o caso potencialmente afetando planos de abertura de capital.
O CEO da OpenAI, Sam Altman, depôs nesta terça-feira no tribunal federal de Oakland, na Califórnia, em um julgamento movido por Elon Musk. O testemunho abordou o que ocorria na gestão da OpenAI em 2017, quando se discutia a criação de uma subsidiária com fins lucrativos e o eventual controle de Musk sobre a nova empresa. Altman descreveu a reação dos fundadores ao sugerir que o magnata da Tesla poderia ter voto de confiança, mas sem formalizar esse compromisso.
Segundo o relato de Altman, Musk pediu controle total sobre a nova estrutura, proposta que não incluía contrato que assegurasse esse poder. Os fundadores teriam ficado desconfortáveis com a ideia, gerando atrito interno. Em depoimento, Altman mencionou um momento em que a pergunta sobre o que aconteceria se Musk morresse levou a uma resposta de que o controle poderia, no futuro, passar aos filhos. O episódio, segundo Altman, alimentou tensões na época.
A discussão sobre controle está ligada à transformação da OpenAI em empresa com fins lucrativos, tema central do processo aberto por Musk em 2024. O fundador da Tesla contesta a transição, alegando que a organização abandonou sua missão sem fins lucrativos. Altman argumenta que a mudança foi necessária para viabilizar recursos e desenvolvimento seguro de IA.
Disputa, passado e impactos futuros
Altman citou que Musk chegou a propor inicialmente ficar com a maioria do capital, embora esse percentual tenha sido ajustado durante as negociações. O executivo ressaltou que a OpenAI sempre buscou evitar o domínio absoluto por parte de uma única pessoa. Em defesa, o depoimento afirmou que a migração para o modelo com fins lucrativos contou com apoio dos demais fundadores e da comunidade.
Durante o depoimento, advogados de Musk questionaram a credibilidade de Altman. O CEO da OpenAI respondeu de forma firme, mencionando que, no passado, ouviu relatos de associados chamando-o de mentiroso. O júri já havia sido informado de que Altman foi demitido do conselho da OpenAI em 2023 por suposto padrão de transparência, mas retornou ao cargo dias depois após manifestação de funcionários.
O processo sustenta que Musk busca uma indenização de US$ 150 bilhões e a destituição de Altman e do presidente Greg Brockman. A decisão pode influenciar também os planos de abertura de capital da OpenAI, que, segundo avaliações, poderia alcançar valores próximos a US$ 1 trilhão. O desfecho definirá o rumo da governança da organização e seus próximos passos no mercado de IA.
Entre na conversa da comunidade