- O Domo Dourado, sistema antimísseis proposto por Donald Trump, poderia custar US$ 1,2 trilhão ao longo de 20 anos.
- O plano prevê quatro camadas de defesa para Estados Unidos, Alasca e Havaí, incluindo milhares de satélites, radares e instalações de mísseis.
- O relatório do Escritório de Orçamento do Congresso estima que seriam necessários cerca de 7.800 satélites armados para neutralizar até dez mísseis inimigos simultaneamente no espaço.
- Mesmo com o sistema, adversários como Rússia ou China ainda poderiam superar a defesa, com alguns mísseis atingindo alvos.
- Os interceptores espaciais enfrentariam desgaste por arrasto na atmosfera, o que exigiria substituições ao longo de cinco anos, segundo o CBO.
O Domo Dourado, o sistema antimísseis proposto pelo presidente Donald Trump, poderia custar até US$ 1,2 trilhão ao longo de 20 anos, conforme relatório do Escritório de Orçamento do Congresso divulgado nesta semana. A avaliação aponta que o projeto exigiria uma defesa de quatro camadas para Estados Unidos, Alasca e Havaí, com milhares de satélites, radares e instalações de mísseis para interceptar mísseis balísticos intercontinentais e proteger 35 instalações regionais para mísseis hipersônicos e de cruzeiro.
A estimativa leva em conta interceptores de órbita espacial, tidos como a peça central do plano, que consumiriam cerca de 60% do custo total. O relatório parte de um decreto presidencial de janeiro de 2025 e utiliza o objetivo de neutralizar até dez mísseis inimigos simultaneamente no espaço para justificar a necessidade de aproximadamente 7.800 satélites armados em órbita baixa.
Entretanto, especialistas entrevistados ressaltam incertezas significativas sobre o desenho técnico do sistema. Tom Karako, analista em defesa antimísseis, afirma que o documento do CBO faz suposições sobre o número, o tipo e a capacidade dos interceptores espaciais, que poderiam enfrentar desgaste pela presença constante na atmosfera.
Segundo o estudo, mesmo com a configuração prevista, adversários com arsenais nucleares extensos, como Rússia ou China, poderiam superá-la em parte, permitindo que alguns mísseis atinja alvos no território americano. A conclusão ressalta limitações estruturais de qualquer sistema capaz de proteção total contínua.
O CBO não estimou, no entanto, o custo específico de proteger territórios nacionais, destacando Guam como área que receberia um sistema de defesa extenso fora do escopo do Domo. A análise aponta ainda possibilidades de proteção regional para Samoa Americana, Ilhas Marianas, Porto Rico e Ilhas Virgens Americanas por meio de instalações independentes.
A revisita ao tema ocorre em meio a debates sobre salvaguardar território nacional frente a armas convencionais guiadas. Especialistas ressaltam que a evolução tecnológica amplia a capacidade de ataques estratégicos sem uso de armas nucleares, o que compõe parte do objetivo do Domo Dourado.
O relatório ressalva que o histórico de acordos de controle de armas influenciou o contexto atual. O Tratado de Mísseis Antibalísticos, firmado em 1972, buscava frear defesas agressivas, mas a retirada dos EUA do tratado em 2001 abriu espaço para redes de defesa antimíssil. A avaliação do CBO analisa implicações estratégicas sem emitir juízo de valor.
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