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Irã ainda possui 70% de seus mísseis, diz jornal

Inteligência dos EUA afirma que o Irã recuperou acesso a 30 de 33 áreas de lançamento próximas ao Estreito de Ormuz e mantém 70% do arsenal de mísseis, contrariado relatos de dizimação

Míssil 'Mártir Hajj Qassem' lançado pelo Irã em 20/08/2020 — Foto: Iranian Defense Ministry/AP
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  • Relatórios reservados da inteligência dos Estados Unidos indicam que o Irã recuperou o acesso operacional a 30 das 33 áreas de lançamento de mísseis próximas ao Estreito de Ormuz e mantém 70% do estoque de mísseis e lançadores móveis.
  • O Irã também retomou o acesso a 90% de suas instalações subterrâneas, onde pode armazenar lançadores móveis para mobilização em outros locais, além de possuir uma pequena reserva de mísseis de cruzeiro.
  • As informações contradizem as afirmações de que a capacidade militar iraniana foi dizimada pela operação militar iniciada em fevereiro.
  • A sobrevivência do poderio iraniano complica o esforço de reabrir o Estreito de Ormuz, rota crucial para o abastecimento de petróleo e gás, com tensões no Golfo.
  • A Marinha dos Estados Unidos segue monitorando a região com mais de vinte navios, em meio a desgaste de estoques de munição e dificuldades de produção.

Relatórios reservados de inteligência dos EUA contestam a narrativa de que a capacidade militar do Irã foi dizimada. Segundo o New York Times, o Irã recuperou acesso operacional a 30 das 33 áreas de lançamento de mísseis perto do Estreito de Ormuz e mantém 70% do estoque de mísseis e lançadores móveis.

O relato aponta que o Irã também recuperou acesso a 90% de instalações subterrâneas usadas para abrigar lançadores móveis e, ainda, possui uma pequena reserva de mísseis de cruzeiro para alvos próximos. As informações foram compartilhadas com autoridades e legisladores no início deste mês.

Essa avaliação contrasta com declarações do governo dos EUA, incluindo o presidente Donald Trump e o secretário de Defesa Pete Hegseth, que sustentaram que as Forças Irãs teriam sido dizimadas pela Operação Fúria Épica, iniciada em 28 de fevereiro.

Conforme o novo relatório, as avaliações de inteligência indicam superestimação dos danos às forças de mísseis iranianas e subestimação da capacidade de recuperação de Teerã. A divulgação ocorreu após rumores revelados pelo Washington Post na semana anterior.

A sobrevivência do poder militar iraniano complica a tentativa dos EUA de reabrir o Estreito de Ormuz, corredor estratégico que concorre para atender cerca de 20% da demanda global de petróleo e gás. O Irã afirma controlar a via e já colocou minas no caminho.

A Marinha dos EUA mantém patrulha com mais de 20 navios na região, sob um bloqueio naval voltado a embarcações com escala no Irã. Ainda assim, não conseguiu restaurar a confiança da indústria de transporte marítimo diante de riscos de ataques.

A capacidade de proteção de aliados no Golfo Pérsico também ficou refletida nos danos infligidos durante o conflito, com ataques iranianos atingindo bases utilizadas pelos americanos, apesar dos interceptores fornecidos por EUA e Israel.

Mesmo com perdas, o ataque conjunto dos EUA e de Israel causou danos relevantes a alvos estratégicos no Irã, incluindo destruição de instalações. A ofensiva ocorreu enquanto a economia iraniana enfrenta pressão de guerra, corrupção e má gestão.

Entre as consequências, aliados dos EUA passaram a questionar a prudência da intervenção. Críticas a apoiadores de Trump ganharam espaço entre opositores à escalada militar desde o início.

Paralelamente, as forças americanas registraram desgaste em estoques de mísseis interceptadores Patriot e de mísseis de cruzeiro Tomahawk, elevando o desafio de repor munição com rapidez.

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