- A frota iraniana de barcos rápidos, muitas vezes chamada de “frota de mosquitos”, atua para confundir e perturbar a navegação no Estreito de Hormuz, sob comando do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).
- A estratégia mira aumentar custos e riscos para navios-tanque e para o tráfego comercial, sem enfrentar abertamente a Marinha dos EUA.
- Estima-se que a frota tenha entre 500 e mais de mil barcos, muitos reaproveitados de pesca e baratos de substituir.
- O tráfego pelo estreito caiu significativamente, com cerca de 10 navios transitando por dia, aproximadamente 8% da média anterior, devido ao bloqueio e às tensões.
- A interrupção no transporte de petróleo pelo estreito contribuiu para um forte choque de oferta, elevando os preços do petróleo a níveis próximos de recordes.
A frota de pequenos barcos de ataque rápido do Irã, apelidada de “frota de mosquitos”, tem surpreendido as forças dos EUA no Estreito de Ormuz. Analistas dizem que, embora compensa com números, não busca combate naval convencional, e sim pressionar economicamente e restringir rotas comerciais.
Operada pelo IRGC, a flotilha nasceu na década de 1980 durante a Guerra Irã-Iraque. Hoje integra uma doutrina de guerra que busca confundir navios de grande porte e dificultar a navegação, especialmente de petroleiros, no Golfo Pérsico.
Os barcos costumam circular em enxames, com tiros próximos a navios comerciais, minas e lançadores de mísseis. Muitos são adaptados de embarcações civis ou de pesca, o que facilita reposição rápida após perdas.
Especialistas afirmam que a estratégia visa elevar custos e riscos para empresas que trafegam pelo estreito, tornando o canal mais perigoso e menos atrativo para o comércio global. A vigilância requer drones, helicópteros e patrulha constante.
Os alvos costumam estar em áreas próximas às rotas de navegação, onde a detecção por radar é desafiadora devido ao que fica submerso. Estima-se que a frota varie entre 500 e mais de mil barcos, mantidos em segredo em covas e enseadas.
A tática de guerra de guerrilha marítima busca evitar confronto direto, combinando ataques, minas e enxames com retratação rápida. Isso aumenta custos de operações americanas e de seus aliados, segundo analistas.
Contexto recente e impactos
O trânsito de mercadorias pelo Estreito de Ormuz diminuiu significativamente nos últimos meses. Observadores apontam que a média diária caiu de cerca de 60 para menos de 10 navios, reduzindo o fluxo de petróleo pela rota.
Em abril houve um cessar-fogo entre EUA, Israel e Irã, mas a tendência de queda foi retomada com novas sanções americanas. Ainda assim, ataques esparsos continuam a ocorrer na região.
O UKMTO, órgão britânico de monitoramento, reportou um incidente recente próximo ao Catar envolvendo uma embarcação de carga a granel atingida por projétil não identificado, sem vítimas.
A Organização Marítima Internacional calcula que cerca de 1,5 mil navios e 20 mil tripulantes seguem afetados pelo bloqueio. Analistas destacam que o choque de oferta de petróleo é, segundo alguns, o maior já visto.
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