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O Oceano Austral é essencial para o futuro do planeta e podemos protegê-lo neste ano

À frente da Conservação de Recursos Marinhos Antárticos (CCAMLR), o Reino Unido pode romper o impasse e avançar com uma grande área marinha protegida e o manejo do krill

A waddle of chinstrap penguins (Pygoscelis antarctica) on Deception Island, Antarctica. Image courtesy of Jay Williams / WWF.
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  • O Southern Ocean é crucial para o sistema climático global e abriga a Península Antártica, onde vive cerca de um terço da população mundial de krill, base da alimentação de várias espécies.
  • A governança fica a cargo da CCAMLR; o Reino Unido preside a 45ª reunião anual este ano, com oportunidade real de avanços em conservação.
  • Três resultados conectados podem sair dessa reunião: criação de uma grande Área Marinha Protegida (Domain 1) com cerca de 460 mil quilômetros quadrados; adoção de uma abordagem de manejo das pescas de krill; roteiro com metas para chegar a trinta por cento de proteção do Southern Ocean até 2030.
  • O krill enfrenta pressão devido a três anos de gelo marinho recorde baixo e à pesca que atingiu o limite de 620 mil toneladas no ano passado.
  • O momento pode favorecer a conservação, com a participação de indústrias e apoios internacionais; a atuação britânica, ligada à história da Antártida, é vista como decisiva para avanços significativos.

O Atlântico Sul e o Oceano Antártico vivem uma encruzilhada. Um passo decisivo pode ocorrer em 2026, quando a Inglaterra assumirá a presidência da CCAMLR, o comitê internacional responsável pela conservação dos recursos marinhos da região. O objetivo é avançar medidas de proteção e manejo, com impactos diretos sobre a vida marinha e o clima global.

A Antártida abriga cerca de um terço da população global de krill, base fundamental da cadeia alimentar. Guindastes biológicos, baleias, pinguins, focas e aves marinhas dependem disso. Contudo, três anos de inverno marítimo com recordes de baixa temperatura fragilizaram a reprodução do krill, num cenário intensificado pelas atividades pesqueiras.

O que está em jogo

A CCAMLR opera por consenso, o que já atrasou acordos. Em 2026, o foco está em três desdobramentos interdependentes. Primeiro, a criação de uma Área Marinha Protegida (AMP) abrangendo águas ao redor da Península Antártica, proposta por Argentina e Chile, com cerca de 460 mil km². A adoção dessa AMP seria um marco mundial.

Gestão do krill e limites de pesca

Segundo ponto envolve a adoção de uma Abordagem de Gestão da Pesca de Krill. Ainda não há acordo sobre os limites de captura no entorno da Península. O tema exige bases científicas sólidas, divisão de capturas em unidades menores e mecanismos de ajuste rápido, com base na saúde do ecossistema, incluindo as populações de baleias.

Roteiro para 2030

Terceiro objetivo é traçar um roteiro com metas vinculantes para alcançar 30% de proteção do Oceano Austral até 2030, conforme compromissos da CCAMLR de 2009. Um plano claro reduz dúvidas sobre soberania, acesso a recursos e governança antártica, facilitando negociações entre os membros.

Papel do Reino Unido e do cenário internacional

O Reino Unido, ao presidir a CCAMLR até outubro, assume um papel central. O país já liderou iniciativas históricas de proteção marinha e busca consolidar apoio internacional, incluindo a participação de operadoras de pesca e alianças com países e blocos regionais. Observadores apontam que avanços dependem de flexibilidade e de alinhamento entre conservação e interesses econômicos.

Contexto e perspectivas

Outras frentes internacionais fortalecem o ambiente propício: governos e blocos reforçam compromissos com a proteção de 30% dos oceanos até 2030, por meio de acordos multilaterais e frameworks globais. A participação de empresas do setor de krill, que respondem por parte significativa da captura, também tem mostrado disposição para apoiar áreas protegidas.

A atenção global permanece voltada para a CCAMLR-45 e seus desdobramentos. Se alcançados, os três resultados poderiam promover uma mudança estrutural na governança dos mares australes, com efeitos diretos para a ecologia local, para comunidades de pesca e para a credibilidade de acordos multilaterais. O tempo de atuação é visto como crítico.

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