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Obras para a Copa México prejudicam vida de trabalhadoras sexuais

Obras da Copa no México provocam suposta limpeza social, reduzem o movimento de trabalhadoras sexuais ao redor do Estádio Azteca e afetam renda

Profissional do sexo caminha por avenida nos arredores do Estádio Azteca, na Cidade do México
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  • Obras da Copa do Mundo no México geram impactos no cotidiano, com obras em ruas, aeroporto e metrô antes da abertura no dia 11 de junho.
  • Mulheres que trabalham como prostitutas dizem sofrer queda de movimento perto do Estádio Azteca, onde circulam milhares de torcedores.
  • A prefeitura inaugurou ciclovia em Tlalpan, avenida que liga o centro ao sul da capital, gerando confrontos entre trânsito, ciclistas e trabalhadores do sexo.
  • Organizações de defesa afirmam que há uma “limpeza social” para expor um México de primeiro mundo e expulsar as trabalhadoras da via, alegação contestada pela administração local.
  • Estima-se que cerca de quinze mil trabalhadoras sexuais atuem na cidade do México, em um país com aproximadamente oitocentas mil profissionais do sexo; autoridades estudam propostas para direitos e condições de trabalho.

Uma intervenção de obras associadas à Copa do Mundo está impactando a rotina de trabalhadoras sexuais na Cidade do México. O movimento de clientes caiu nas proximidades do Estádio Azteca, onde as vias públicas convivem com ciclovias em construção. O aeroporto e o metrô também passam por reformas aceleradas.

As obras visam deixar o país pronto para o torneio organizado em conjunto com os Estados Unidos e o Canadá. Em Tlalpan, a avenida que liga o centro ao sul da capital permanece congestionada, justamente onde fica o estádio e onde a demanda não atende mais ao ritmo anterior.

Profissionais relatam queda no fluxo de clientes e pressão para mudanças na área. Entre relatos, há queixas sobre a prefeitura e a atuação de futuras obras que podem expulsar a atividade da região. A situação é citada como parte de um movimento de reorganização urbana.

Limpeza social

Elvira Madrid, coordenadora da Brigada Callejera, acusa uma estratégia de reduzir a presença de trabalhadoras sexuais para projetar uma imagem de desenvolvimento. Há protestos na Tlalpan durante inaugurações oficiais de obras.

A prefeitura, por meio de representantes, afirma que negocia com as trabalhadoras e que o objetivo é estabelecer regras de convivência, como horários e conduta, sem detalhar acordos em aberto. A proposta envolve códigos de vestimenta e uso da via pública.

César Cravioto, secretário de governo, mencionou, em 2025, a ideia de criar direitos e proteção social para profissionais do sexo, em meio a debates sobre reconhecimento legal. Ainda não houve resposta a pedidos de comentário da imprensa.

Monserrat Fuentes e Flor, trabalhadoras da região, criticam a falta de diálogo com o governo e relatam impactos diretos na renda. Uma comenta que a renda sofreu grande redução, com níveis de ganho consideravelmente menores do que antes. A outra destaca o risco de acidentes na via compartilhada com a ciclovia.

A agência pública responsável afirma que obras no entorno do Estádio Azteca e nos arredores do aeroporto seguem em ritmo acelerado, com previsão de conclusão antes da abertura do torneio. A primeira partida ocorre no dia 11 de junho, entre México e África do Sul.

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