- ONU aponta que 70 crianças palestinas foram mortas na Cisjordânia desde janeiro de 2025, em meio a operações militares israelenses e ataques de colonos.
- Desde o começo de 2025, a média é de uma criança morta por semana, e aproximadamente 850 ficaram feridas; a maioria atingida por munição real.
- A violência aumentou desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023, com mais ataques de colonos e de forças militares; levantamento da AFP aponta pelo menos 1.070 palestinos mortos no período, enquanto dados oficiais israelenses registram 46 israelenses mortos.
- A ONU diz que as forças israelenses foram responsáveis por 93% das mortes de crianças na Cisjordânia, com demolições, interrupções no acesso à educação, água e saúde, além de deslocamentos de mais de 2.500 pessoas, incluindo 1.100 crianças.
- O Unicef registra 347 crianças palestinas detidas em prisões militares, o maior número em oito anos, e faz apelos para proteção das crianças e respeito ao direito internacional.
A ONU denunciou, nesta terça-feira, 12 de maio, o acúmulo de operações militares israelenses e de ataques de colonos na Cisjordânia ocupada, que já deixaram 70 crianças palestinas mortas desde o início de 2025. A organização também informou que 850 crianças ficaram feridas no mesmo período e que a maioria das vítimas foi atingida por munição real. O alerta foi feito pelo Unicef.
Entre os impactos, a Unicef destacou o aumento de ataques de colonos e de ações militares, com consequências graves para crianças em Jerusalém Oriental e outras áreas da Cisjordânia. O porta-voz James Elder apontou que as crianças pagam um preço intolerável pela escalada das hostilidades.
Desde janeiro de 2025, a escalada acompanha a operação militar de Israel na Cisjordânia, segundo dados da ONU. O observatório de violência registra também um expressivo número de feridos e de deslocamentos forçados na região, com consequências diretas para educação, saúde e moradia.
Violência, deslocamentos e demolições
A ONU indicou que as forças israelenses teriam responsabilidade por 93% das mortes infantis na Cisjordânia, ao passo que houve também “níveis históricos” de ataques de colonos. Em março de 2026, a entidade considerou o maior registro de ferimentos a palestinos por colonos em duas décadas.
Conforme a ONU, há aumento de 27% nos ataques contra palestinos na Cisjordânia em 2025, comparado a 2024, segundo estimativas das Forças de Defesa de Israel (FDI) e do Shin Bet. Relatos de casos apontam agressões físicas contra crianças, inclusive com ferimentos graves.
Um menino de oito anos foi citado pela Unicef como vítima de ataque de colonos. A narrativa descreve a família tendo a casa demolida dois meses antes, deixando a criança dormindo no exterior, após sofrer espancamento com madeira.
A organização também ressaltou o desmonte de condições básicas para a sobrevivência infantil, com demolições de casas, ataques a sistemas de água e restrições de acesso à saúde. Barreiras e restrições isolam crianças de escolas e serviços.
A educação também enfrenta ataques, com 99 incidentes registrados neste ano, incluindo mortes, ferimentos, detenções de estudantes e uso militar de prédios escolares. A Unicef afirma que crianças chegam a caminhar com cuidado extremo para evitar riscos.
Mais de 2.500 palestinos foram deslocados no primeiro quadrimestre deste ano na Cisjordânia, 1.100 deles crianças, um volume superior aos deslocamentos de todo o ano anterior. O relatório aponta como consequência a interrupção de rotinas escolares e de saúde.
Prisões de crianças e apelos
Os dados mais recentes apontam 347 crianças palestinas detidas em prisões militares israelenses por supostas infrações de segurança, o maior número em oito anos. A Unicef pediu medidas imediatas para impedir novas mortes e promover a proteção de casas, escolas e acesso à água.
A organização fiscaliza que governos e atores influentes usem sua influência para assegurar o respeito ao direito internacional. A Unicef afirma estar disposta a acompanhar ações que protejam crianças palestinas e seus direitos básicos.
As informações são baseadas em dados de autoridades locais e relatórios internacionais, com foco na proteção de crianças na Cisjordânia e no impacto humano do conflito. As autoridades israelenses não se manifestaram neste comunicado da ONU.
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