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Produtividade, cultura e obsolescência impulsionam inovação em diversos países

Painel aponta diversidade global da inovação; Ásia em destaque, Japão conservador, com fax e orelhões ainda usados em alertas climáticos

Painel do São Paulo Innovation Week sobre a diversidade global no impulsionamento de tecnologias destacou a Ásia, incluindo a aversão ao risco do Japão, onde fax e orelhões ainda são importante num contexto de eventos climáticos extremos
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  • O painel O Mundo Como Laboratório abriu a trilha Branding Experience do São Paulo Innovation Week, destacando a diversidade global da inovação, com foco especial na Ásia.
  • Foram apontados exemplos práticos de inovação em Shenzhen, Bangalore, Jacarta e Lagos, não apenas como curiosidades, mas como referências reais.
  • Os palestrantes destacaram motivações locais: no Brasil, o agronegócio; em Israel, o território pequeno; em Cingapura, o olhar pró-negócio do governo.
  • A China foi enfatizada pela sua estrutura desenvolvimentista, cidades com metas de OKRs (Objectives and Key Results) e pela capacidade de produção que atende a gigantes globais, como a BYD; a Boeing já não exporta para a China.
  • O Japão foi citado como exemplo de conservadorismo tecnológico, mantendo o uso de fax e de orelhões para alertas de desastres, evidenciando obsolescência útil em contextos específicos.

O World Como Laboratório abriu a trilha de Branding Experience do São Paulo Innovation Week, reunindo especialistas para discutir a diversidade global da inovação com ênfase na Ásia. O painel contou com Mari Castro, head de curadoria da KES; Ricardo Al Makul, cofundador da mesma plataforma; e Gabriela Onofre, CEO da operação brasileira do Publicis Groupe. A discussão ressaltou que inovação não depende apenas de robôs e IA, mas também de usos de tecnologias já existentes.

Em vídeo exibido no início, o pesquisador e colunista Oliver Stuenkel destacou a liderança asiática em comércio, consumo e outros indicadores, observando que países como Shenzhen, Bangalore, Jacarta e Lagos também devem ser vistos por seus aspectos práticos, não como exceção. A ideia é ampliar a leitura sobre motivações que impulsionam a inovação ao redor do mundo.

Diversidade de motores regionais

Castro listou critérios para medir inovação global, entre patentes, pesquisas, investimentos, crédito, cultura, geopolítica e geografia, além da mentalidade para assumir riscos. Makul citou exemplos locais: no Brasil, o agronegócio; em Israel, o território compacto; em Cingapura, o papel ativo do governo pró-negócio. Shenzhen foi descrita como exemplo de transformação produtiva, saindo de uma área rural para suprir demandas de empresas globais, como a Boeing e a BYD.

Onofre destacou a estrutura desenvolvimentista da China, com metas definidas em nível de prefeitura, onde o não cumprimento de OKRs pode resultar na troca de gestão. Ela também apontou que, às vezes, a inovação caminha em direção contrária ao progresso, observando o Japão, que mantém práticas como o uso de fax para comunicação em situações de terremoto.

Obsolescência útil e influências culturais

Castro acrescentou que tecnologias consideradas obsoletas continuam relevantes em certas regiões, como o uso de fax e de orelhões na Ásia para alertas de desastres naturais. A presença dessas ferramentas ilustra uma abordagem pragmática de manter o que funciona diante de contextos específicos.

Entre viagens de pesquisa, Onofre ponderou que culturas distintas moldam perspectivas de inovação, destacando o senso de organização e educação da Alemanha. Ela sugeriu que o entorno, a escassez e a localização influenciam mais do que políticas públicas isoladas, moldando hábitos e prioridades locais.

Sobre o evento

O São Paulo Innovation Week é o maior festival de tecnologia e inovação da região, promovido pelo Estadão em parceria com a Base Eventos. A edição ocorre no Pacaembu e na Faap, de 13 a 15 de maio, reunindo mais de 2 mil palestrantes de áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, sustentabilidade, arte e filosofia.

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