- A crise no Oriente Médio reduziu as importações de gás de cozinha na Índia, levando ao aumento de preços do GLP e a escassez de recargas para mais de sessenta por cento da população que usa esse gás.
- Muitas famílias passaram a cozinhar com combustíveis ruins, como lenha e carvão, aumentando a poluição do ar e elevando riscos à saúde.
- Em Delhi, recargas de gás ficaram inacessíveis para a maioria; uma família relatou que o custo do cilindro de cinco kg subiu diversas vezes acima do que era suportável, com renda familiar avaliada entre 400 e 500 rúpias por dia.
- A Índia afirma não haver falta de gás, mas dados oficiais mostram queda de consumo de GLP em abril; autoridades chegaram a relaxar temporariamente restrições ao uso de carvão e lenha.
- Em Manila, Filipinas, o preço de um tanque pequeno de GLP triplicou para cerca de Php 600, levando famílias a recorrerem ao carvão, com impactos na qualidade do ar interior e na saúde de mulheres e crianças.
Afshana Khatoon acordou e acendeu uma pilha de lenha em uma viela precária de um cortiço no sul de Délhi. O fogo alimenta um fogareiro improvisado para as refeições de quatro filhos, após dias de busca por gravetos em parques urbanos e florestas secas da cidade. O calor extremo acompanha o esforço.
O que mudou recentemente é a escassez de GLP importado, usado por mais de 60% da população para cozinhar. O aumento de preços tornou as recargas inviáveis para muitas famílias, obrigando-as a recorrer a fuelóis mais poluentes, como madeira e carvão.
Quem está envolvido envolve famílias pobres de áreas urbanas indianas, que dependem de LPG para alimentação. O governo afirma não haver falta de gás, mas o preço e a disponibilidade variam e afetam principalmente usuários de renda baixa.
Quando ocorreu: nos últimos meses, com agravamento após o conflito no Médio Oriente que interrompe parte das importações. Onde acontece: Índia, especialmente Delhi, e também Filipinas, com impactos regionais na Ásia. Por quê: a guerra bloqueia rotas de suprimento e pressiona o preço do gás de cozinha.
Efeitos na saúde e na economia
O retorno a combustíveis sólidos aumenta a poluição interna e externa, elevando o risco de doenças respiratórias. A poluição doméstica é associada a doenças crônicas e mortalidade prematura, afetando principalmente mulheres e crianças.
Em Delhi, a janela de oportunidade para a transição a combustíveis limpos parece falhar diante do custo. Refis de LPG reduzem drasticamente a capacidade de manter cozinhas estáveis e seguras para alimentação diária.
Na Filipinas, o preço do LPG subiu e famílias recorrem ao carvão. Recomposições de renda forçam menores refeições e maior exposição a fumaça tóxica dentro de casa, elevando preocupações com a saúde pública.
Autoridades locais flexibilizaram restrições ao uso de carvão e madeira para mitigar a atual escassez. Especialistas alertam que tais medidas podem atrasar avanços na energia limpa e ampliar a poluição atmosférica.
Especialistas ressaltam que, apesar de programas de subsídios, o acesso não se traduz em custo acessível. Ao longo de uma década, mais de cem milhões de botijões subsidiados foram distribuídos, mas a crise atual expõe vulnerabilidades na economia doméstica.
Em áreas urbanas densamente povoadas, os impactos da poluição aumentam devido à ventilação inadequada. Mulheres e crianças, responsáveis por cozinhar e buscar combustível, permanecem os grupos mais vulneráveis.
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