- EUA e China avançam, ainda que lentamente, rumo a um mecanismo de comércio administrado para bens não sensíveis, com cada lado apontando US$ 30 bilhões em produtos para possíveis cortes de tarifas.
- O tema foi chamado de “Conselho de Comércio” pelo representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, e deve ser apresentado na cúpula entre Trump e Xi.
- Mudança em relação a diálogos anteriores: Washington não exige que Pequim adote o modelo econômico dos EUA, concentrando-se em metas comerciais numéricas em setores não estratégicos.
- Reuniões indicaram bases para propostas econômicas, com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, sem declaração conjunta após o encontro.
- O comércio bilateral de mercadorias caiu 29% de 2024 para 2025, e o déficit americano recuou para US$ 202 bilhões, segundo o Departamento do Censo dos EUA.
Estados Unidos e China avaliam, ainda nesta semana, um mecanismo de comércio administrado para bens não sensíveis. A ideia é permitir reduções tarifárias mútuas de cerca de US$ 30 bilhões em produtos, sem mexer nas salvaguardas de segurança nacional. O objetivo é avançar de forma gradual, com metas numéricas.
O chamado Conselho de Comércio surgiu a partir de conversas do representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, em março, como pilar para a cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping. A expectativa é que o acordo seja apresentado durante o encontro entre os dois presidentes.
Os detalhes permanecem vagos, mas a estratégia muda em relação ao passado: Washington não exige que Pequim adote o modelo americano de mercado aberto. O foco está em setores não estratégicos, mantendo tarifas amplas e controles sobre tecnologias sensíveis.
Greer afirmou, em entrevista à Fox Business Network, que não se busca transformar a economia chinesa, mas encontrar maneiras de otimizar o comércio entre os dois países para maior equilíbrio. Ele compara o mecanismo a um adaptador entre sistemas econômicos distintos.
Em Incheon, Coreia do Sul, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, reuniram-se por três horas para alinhar propostas que Trump e Xi discutirão em Pequim. Não houve declaração conjunta sobre a reunião.
Antes da cúpula, fontes próximas ao governo Trump indicaram expectativa de um acordo recíproco de US$ 30 bilhões em reduções de barreiras. Contudo, não está definido se os produtos serão especificados nos encontros iniciais ou em etapas futuras.
Wendy Cutler, ex-negociadora do USTR, destacou que as negociações podem incluir uma cesta de mercadorias entre US$ 30 bilhões e US$ 50 bilhões para tarifa e barreiras não tarifárias. A ideia é iniciar com itens não sensíveis, com potencial expansão.
O comércio bilateral de mercadorias caiu 29% entre 2024 e 2025, segundo dados do Censo dos EUA, de US$ 582 bilhões para US$ 415 bilhões. O déficit americano recuou cerca de 32%, para US$ 202 bilhões, o menor nível em duas décadas.
Os dois governos não comentaram oficialmente o mecanismo proposto antes da cúpula. A China, que não usa o termo Conselho de Comércio, informou apenas que explorava mecanismos de cooperação econômica e comercial, sem detalhar.
Energia e agricultura em foco
Os EUA buscam ampliar vendas de energia e produtos agrícolas para a China, mantendo espaço para tarifas sobre essas commodities. A China mantém uma tarifa geral de 10% sobre importações dos EUA, igual à atual tarifa temporária de 10%.
Além disso, Pequim aplica tarifas retaliatórias a várias importações americanas, incluindo 10% sobre petróleo bruto, 15% sobre gás natural liquefeito e carvão, e até 55% sobre carne bovina. O objetivo é reduzir déficits setoriais e equilibrar conteúdos comerciais.
Os EUA impõem tarifas de 7,5% sobre uma linha de produtos chineses desde 2019. A tarifa temporária de 10% também permanece em vigor, com duração prevista para expirar em julho, somando-se à lista de tarifas existentes.
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