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UE barra carne brasileira e analisa impactos para o setor

Veto da UE não é imediato e pode afetar exportações brasileiras, exigindo garantias sobre antimicrobianos na pecuária, com perda estimada de até US$ 1,8 bilhão se mantido

Carne bovina — Foto: Cindie Hansen/Unplash
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  • A União Europeia vetou as exportações brasileiras de origem animal e o veto não é imediato; a medida entra em vigor em 3 de setembro e pode ser revertida.
  • O Brasil disse que vai tomar todas as medidas para tentar reverter a decisão e pediu esclarecimentos em reunião com autoridades da União Europeia.
  • Se não for revertido, o veto pode provocar uma perda anual de cerca de US$ 1,8 bilhão para os exportadores brasileiros.
  • A UE não acusou contaminação, mas exige garantias sobre o uso de antimicrobianos na pecuária, com foco em rastreabilidade, certificação e comprovação documental.
  • Além da carne bovina, a medida pode afetar exportações de aves, ovos, mel, peixes e derivados de origem animal para a UE.

O governo brasileiro recebeu com surpresa a decisão da União Europeia de remover o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para o bloco. A medida foi anunciada nesta terça-feira (12/05) e envolve carnes, aves, ovos, mel, peixes, entre outros itens. Ainda não há proibição imediata, já que a regra entra em vigor apenas em 3 de setembro.

O Ministério da Agricultura informou que o Brasil continuará exportando para a UE até a data limite e vai buscar reverter a decisão. Os ministérios das Relações Exteriores, da Agricultura e Pecuária e do Desenvolvimento ressaltaram que trabalharão para esclarecer os requisitos pendentes e apresentar soluções técnicas. O embaixador brasileiro junto à UE, Pedro Miguel da Costa e Silva, afirmou que buscará esclarecimentos em reunião com autoridades da área de saúde animal já nesta quarta-feira.

A medida da UE decorre de garantias insuficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária brasileira. A Comissão Europeia afirmou que o Brasil não apresentou comprovação suficiente sobre rastreabilidade, certificação e uso desses medicamentos ao longo de toda a cadeia produtiva destinada à exportação. Não houve alegação de contaminação, apenas de deficiência regulatória.

Estimativas do Ministério da Agricultura apontam que, se mantida, a decisão poderia implicar perda anual de cerca de 1,8 bilhão de dólares em exportações brasileiras. A possibilidade de desvio de volumes para outros mercados pode atenuar impactos sobre preços internos, já que a UE não é o principal destino da carne brasileira.

A UE foi o quarto maior destino da carne bovina brasileira em 2025, com 128,9 mil toneladas, somando 1,06 bilhão de dólares. Em 2025, a China respondeu por 48% do volume total exportado, seguida dos Estados Unidos. Para a carne de frango, a UE foi o oitavo destino, com 233 mil toneladas em 2025.

A União Europeia não apontou contaminação em produtos brasileiros. A prática europeia se baseia em controles de antimicrobianos usados na pecuária, principalmente aqueles com importância para medicina humana. Entre os itens restritos estão diversas substâncias usadas para tratamento e crescimento de animais.

Para reverter a situação, a UE indicou que o Brasil deve demonstrar conformidade com os requisitos de uso de antimicrobianos ao longo de todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia afirmou que, uma vez atendidos os critérios, pode autorizar a retomada das exportações, em acordo com as autoridades brasileiras.

O Brasil tem duas possibilidades de ajuste; ampliar as restrições legais aos antimicrobianos remanescentes ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade. A segunda opção é considerada mais complexa, exigindo certificações adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos. A ABPA informou que o Brasil já cumpre os requisitos, incluindo antimicrobianos, e oferecerá comprovação às autoridades europeias. A Abiec reiterou que a carne bovina brasileira atende aos padrões sanitários internacionais, com controles oficiais e rastreabilidade reconhecidos globalmente.

A UE já havia adotado medidas restritivas contra a carne brasileira em ocasiões anteriores, como em 2008, quando houve embargo de carne bovina, e em 2017, após a Operação Carne Fraca. Em ambas as ocasiões, diversos mercados impuseram restrições.

A decisão ainda está sujeita a alterações conforme avançam as negociações entre Brasil e UE para atender aos requisitos de rastreabilidade e uso de antimicrobianos na cadeia produtiva destinada à exportação.

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