Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

UE bloqueia carne brasileira: impactos para indústria e exportações

UE retira Brasil da lista de exportadores de produtos de origem animal; medida entra em vigor em setembro e pode custar até US$ 1,8 bilhão anuais se não revertida

Gado em confinamento no interior paulista
0:00
Carregando...
0:00
  • A União Europeia decidiu retirar o Brasil da lista de locais autorizados a exportar produtos de origem animal para consumo humano, anúncio feito ontem.
  • A medida entra em vigor em três de setembro; no momento, não há proibição e o Brasil continua exportando para a UE.
  • Se não reverter até lá, pode haver perda anual de cerca de US$ 1,8 bilhão em exportações; os produtores podem redirecionar carne para outros mercados.
  • A exigência não é sobre contaminação, mas sobre garantias insuficientes de controle de antimicrobianos na pecuária e rastreabilidade ao longo da cadeia produtiva.
  • Brasil pode reverter ampliando restrições legais aos antimicrobianos ou fortalecendo a rastreabilidade; ABPA afirma já cumprir os requisitos e ABIEC sustenta conformidade sanitária.

O governo brasileiro informou surpresa com a exclusão do país da lista de exportadores de produtos de origem animal para a União Europeia. A decisão foi anunciada ontem pela UE, e as autoridades brasileiras disseram que vão adotar todas as medidas para reverter o ato. O embaixador do Brasil na UE, Pedro Miguel da Costa e Silva, afirmou que buscará esclarecimentos em reunião prevista para hoje com representantes da área de saúde animal.

Apesar do susto, o impacto imediato é limitado: a medida entra em vigor apenas em 3 de setembro, e, por ora, não há proibição vigente. O Brasil segue exportando carne e outros produtos de origem animal para a UE. Caso não seja revertida, a perda anual brasileira pode chegar a US$ 1,8 bilhão para os exportadores, segundo o Ministério da Agricultura.

A possível consequência para o setor não se restringe à carne bovina. A medida pode afetar também o desempenho de exportações de aves, ovos, mel, peixes, equinos e derivados. A UE sustenta que a ação decorre de falhas brasileiras em comprovar controle sobre antimicrobianos na pecuária.

Importância da UE para o segmento

A ABIEC aponta que, em 2025, a UE foi o quarto maior destino da carne bovina brasileira, com 128,9 mil toneladas, equivalentes a US$ 1,06 bilhão. O Brasil destinou quase metade de suas exportações de carne à China, seguido pelos EUA como secondos compradores.

No conjunto de carnes, a China respondeu por 48% do volume total exportado em 2025, com 1,68 milhão de toneladas e US$ 8,9 bilhões. Os EUA aparecem com 271,8 mil toneladas e US$ 1,64 bilhão.

Para a carne de frango, a UE foi o oitavo maior comprador em 2025, com 233 mil toneladas, somando US$ 302 milhões. O principal destino global é o Emirados Árabes Unidos, com quase 480 mil toneladas.

O que a UE reclama exatamente

A UE não aponta contaminação específica. O bloco afirma que o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre o uso de antimicrobianos na cadeia produtiva destinada à exportação. A exigência envolve rastreabilidade, certificação e comprovação documental do uso de medicamentos.

Antimicrobianos são usados para tratar doenças e, às vezes, para estimular o crescimento. A UE restringe substâncias importantes para tratamento humano, para evitar resistência antimicrobiana. Entre os itens citados estão virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

Como reverter a decisão

Um caminho é o Brasil demonstrar cumprimento dos requisitos de uso de antimicrobianos ao longo do ciclo de vida dos animais. A UE sinalizou que, com a conformidade comprovada, pode autorizar novamente as exportações.

Outra opção envolve ampliar as medidas de rastreabilidade e fortalecer mecanismos sanitários e certificações, o que implica custos adicionais para produtores e frigoríficos.

A ABPA assegura que o Brasil já cumpre requisitos da UE, inclusive sobre antimicrobianos, e pretende apresentar evidências. A ABIEC afirma que a carne bovina brasileira atende aos padrões sanitários e regulatórios internacionais, com controles e rastreabilidade reconhecidos globalmente.

Histórico de tensões com a UE

A UE já impôs embargos à carne brasileira em 2008, sob alegação de falta de medidas de segurança alimentar. Em 2017, a Operação Carne Fraca trouxe novas restrições às exportações por parte de diversos parceiros comerciais.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais