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Cidade às margens do lago abalada pela guerra após vizinho baleado na cabeça

Relatório da Human Rights Watch aponta execuções, estupros e sequestros por M23 e soldados ruandeses em Uvira, com 53 civis mortos e enorme deslocamento

Conflict in eastern DR Congo has caused a massive humanitarian crisis
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  • A Human Rights Watch revelou que, durante a ocupação de Uvira, no leste da República Democrática do Congo, militantes do M23 e soldados ruandeses teriam cometido execuções e violência sexual.
  • Ao todo, foram documentadas 53 execuções de civis (46 homens, uma mulher e cinco meninos) em varreduras de casa em bairros da cidade.
  • A organização afirma ter registrado oito casos de estupro envolvendo os membros do M23 e de militares ruandeses durante o período de controle.
  • A violência levou dezenas de milhares de pessoas a fugirem de suas casas, e há relatos de rapto, desaparições forçadas e recrutamento forçado.
  • O M23 se afastou de Uvira em janeiro, após pressão diplomática internacional; Ruanda e o M23 não responderam aos pedidos de comentário da BBC.

A organização de defesa dos direitos humanos HRW divulgou um relatório detalhando abusos cometidos durante a ocupação de Uvira, cidade litorânea no leste da República Democrática do Congo, pelos rebeldes M23 e soldados ruandeses. Entre dezembro e janeiro, quando o grupo assumiu o controle da cidade, houve execuções sumárias, estupros e outros crimes contra civis.

Segundo a HRW, ao todo 53 civis teriam sido executados durante operações casa a casa em bairros de Uvira. Entre as vítimas estavam 46 homens, uma mulher e cinco meninos. As autoridades locais afirmaram que deslocados em massa deixaram a região em meio ao conflito.

A pesquisa ouviu 130 moradores e identificou oito casos de estupro atribuídos a combatentes do M23 e de militares ruandeses. Relatos apontam brutalidade, vigilância com armas e violência sexual como parte de operações durante a ocupação.

A HRW também verificou relatos de sequestros, desaparecimentos forçados e recrutamento de menores. Além disso, há a investigação de três enterros coletivos na cidade, incluindo um local que já esteve sob controle de forças de paz da ONU.

A organização afirma que as ações podem configurar crimes de guerra. Em abril, a HRW escreveu às autoridades ruandesas e aos líderes do M23 pedindo resposta às acusações, mas não houve retorno até o fechamento deste relatório.

Contexto e impactos humanitários

Uvira fica às margens do Lago Tanganica, na província de Sud-Kivu, região com forte presença de atores armados desde o início do conflito na região. A ocupação provocou deslocamento de dezenas de milhares de pessoas, agravando a crise humanitária local.

O M23 anunciou a retirada de Uvira em janeiro, após pressão diplomática internacional. O grupo afirma defender interesses locais, enquanto a comunidade internacional acusa o RU de apoio logístico e militar às ações na região.

Em paralelo, agências da ONU destacam níveis alarmantes de violência sexual contra crianças na região, com milhares de casos registrados nos meses anteriores, reforçando o quadro de vulnerabilidade de civis na área.

A HRW complementa que, apesar de pedidos de resposta, não houve pronunciamento oficial por parte do M23 ou do governo ruandês sobre as denúncias apresentadas no relatório.

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