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Jerusalém presencia marcha da extrema direita em tensões por expansão israelense

Jerusalém vive a marcha das bandeiras com tensões entre extrema direita e pacifistas; autoridades reforçam a segurança enquanto o projeto da Grande Jerusalém avança

Polícia separa colonos israelenses nacionalistas e ativistas de esquerda durante confrontos na Cidade Velha de Jerusalém, no desfile do Dia de Jerusalém, em 14 de maio de 2026.
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  • Jerusalém sedia nesta quinta-feira a tradicional “marcha das bandeiras”, manifestação da extrema direita que celebra a anexação de Jerusalém Oriental em 1967, enquanto militantes pacifistas se mobilizam na Cidade Velha para proteger palestinos.
  • A Organização das Nações Unidas não reconhece a anexação e a classifica como ilegal segundo o direito internacional.
  • O relatório da organização Ir Amim aponta avanços da chamada Grande Jerusalém, com novas colônias ao redor e ações para criar conectividade territorial que afetam áreas da Zona C e pressionam deslocamentos de palestinos.
  • O acesso a vilas palestinas ficou mais difícil: dezesseis barreiras amarelas bloqueiam estradas, isolando comunidades e associadas a demolições de casas em locais como Al‑Khader e Al‑Walaja.
  • Militares pacifistas distribuem flores na Praça da Porta de Damasco; comerciantes protegidos por medidas de segurança preveem incidentes, e o grupo Standing Together mobiliza 300 voluntários para reduzir tensões.

Jerusalém vive nesta quinta-feira 14 de maio a tradicional marcha das bandeiras, ato da extrema direita que celebra a anexação da parte oriental da cidade em 1967. O trajeto ocorre pela Cidade Velha, com a participação de milhares, enquanto dezenas de militantes pacifistas buscam proteger palestinos no entorno. A ONU não reconhece a anexação e a classifica como ilegal segundo o direito internacional.

A organização Ir Amim divulgou um relatório que mostra uma reconfiguração do mapa ao redor de Jerusalém nos últimos três anos, com reforço de setores radicais e expansão de projetos na chamada Grande Jerusalém. O estudo cita o E1 como exemplo de continuidade entre colônias e a cidade.

Segundo Aviv Tatarsky, pesquisador da Ir Amim, surgiram quatro novas colônias ao redor de Jerusalém, entre elas Mishmar Yehuda e Yatziv. Ele afirma que o processo envolve etapas para ampliar o controle sobre a Zona C, com demolições, criação de infraestruturas e violência de Estado contra palestinos.

Kamal, guia palestino da área, fala de pressões contínuas em torno de Battir, perto da cidade, descrevendo a percepção de um plano gradual para ampliar a presença israelense. Casos de demolições em Al-Khader e Al-Walaja são citados como exemplos recentes.

As vilas palestinas próximas encontram maior dificuldade de acesso, com 16 barreiras metálicas amarelas nas vias que ligam comunidades locais a Jerusalém. Tatarsky alerta que o Exército pode isolar rapidamente áreas inteiras, mantendo saídas bloqueadas por longos períodos.

Kamal descreve a situação como absurda, dizendo que cada vila fica cercada por portões que dificultam encontros entre moradores. O objetivo, segundo o relatório, é criar enclaves palestinos sem continuidade territorial sob pressão de demolições e restrições de movimento.

Ação pacifista e resposta policial

Sob forte sol, na Porta de Damasco, dezenas de militantes vestidos de branco distribuem flores aos pedestres como forma de protesto não violento. Um participante afirmou a intenção de mostrar solidariedade à comunidade local e garantir direitos iguais.

Dentro da Cidade Velha, comerciantes fecham suas portas com antecedência, diante de eventuais episódios de violência e de insultos durante o trajeto da marcha. O desfile tradicionalmente reúne dezenas de milhares de pessoas e pode registrar incidentes ao longo do dia.

O grupo Standing Together mobilizou cerca de 300 voluntários para tentar conter a violência e proteger moradores palestinos, segundo informações da AFP. A codiretora do grupo criticou grupos de extrema direita e mencionou a presença protetora como objetivo de reduzir tensões.

Ao meio-dia, as primeiras caravanas entraram pela Porta de Damasco, com o slogan Israel para sempre, marcando o início de um dia de vigilância policial reforçada e monitoramento de atos no percurso.

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