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Posição em ambientes de conflito abre oportunidades estratégicas

Brasil fica entre EUA e China, mas entraves regulatórios e fiscais dificultam atrair investimentos e capitalizar o potencial

Fernando Exman (da esq. para dir.), Thomas Shannon, Brian Winter, Heather Conley, Abrão Neto, e Pablo Goldberg em debate sobre geopolítica e o papel do Brasil — Foto: Vanessa Carvalho/Valor
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  • O Brasil está bem posicionado diante do atual ambiente de conflitos geopolíticos, mas ainda precisa superar entraves regulatórios e fiscais para atrair investimentos.
  • O país é visto como mediador entre Estados Unidos e China, mantendo uma autonomia estratégica que é desafiadora e potencialmente cara a manter.
  • O interesse dos EUA em reduzir a dependência da China, especialmente em minerais críticos, abre oportunidade para o Brasil se destacar, com janela de tempo finita.
  • No tema terras raras, o licenciamento e a documentação podem levar até dez anos, atrasando desde a extração até a produção.
  • O Brasil vem avançando em acordos comerciais e segurança alimentar; há espaço para atrair infraestrutura digital (incluindo data centers), desde que se reduza o custo do financiamento e o risco-país, em meio a melhorias fiscais.

O Brasil aparece bem posicionado diante do atual ambiente de acirramento de conflitos geopolíticos, segundo especialistas. Em contrapartida, o país ainda precisa superar entraves regulatórios e fiscais para aproveitar plenamente as oportunidades de atração de investimentos, conforme avaliação apresentada no Summit Valor Brazil-USA.

No painel Geopolítica em transformação e o papel do Brasil, mediado por Fernando Exman, representantes destacaram o papel estratégico do Brasil como mediador entre Estados Unidos e China, sem alinhamento pleno com nenhum dos dois blocos. A ideia é manter autonomia estratégica, ainda que isso implique custos orçamentários, sinalizaram.

Para colaborar com a diversificação da dependência norte-americana de minerais críticos, o tema ganhou relevância entre os participantes. A oportunidade é reconhecida, mas a janela para implementação de políticas que ampliem resiliência é considerada finita, segundo a avaliação de analistas presentes.

Mudanças de pauta e impactos regulatórios

Brian Winter, da Americas Society/Council of the Americas, lembrou que a pauta recente incluiu encontros entre autoridades brasileiras e o governo americano, com foco prioritário em terras raras. O cenário atual aponta para prazos longos no licenciamento e na aprovação de projetos, o que pode atrasar a exploração e a produção.

Abrão Neto, CEO da Amcham Brasil, destacou que o Brasil tem evoluído na gestão de acordos comerciais e em instrumentos de controle de investimentos. Contudo, ainda enfrenta entraves regulatórios e fiscais que afetam infraestrutura digital, especialmente na implantação de data centers.

Potencial de atração de investimentos e desafio fiscal

Pablo Goldberg, da BlackRock, ressaltou o momento favorável para atrair investimentos na região, desde que haja redução do custo de financiamento e menor risco-país. O gestor aponta a necessidade de canalizar o potencial da região para o novo cenário global, com ênfase em melhoria de ambiente econômico.

O grupo reforçou que o Brasil pode ampliar sua participação em segurança alimentar e atrair investimentos em infraestrutura digital, desde que haja avanço regulatório adequado. O consenso aponta para a importância de incorporar a diplomacia empresarial ao conjunto de políticas nacionais.

O papel do Brasil no cenário global

Especialistas destacam que o Brasil atua como vetor de cooperação entre blocos, usando a posição de centro para manter negociações ativas e diversificar parcerias. A expectativa é de que medidas para reduzir custos e evitar gargalos fiscais contribuam para maior atratividade de capitais externos.

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