- Um imóvel em Neve Daniel, na Cisjordânia, está listado no Booking.com como aluguel, entre quarenta e um imóveis em assentamentos israelenses considerados ilegais.
- A localização da casa oferecida para aluguel coincide com a terra da família Sbeih, cuja quintal de cinco hectares foi confiscado em mil novecentos e oitenta e dois.
- Um relatório da Ekō aponta quarenta e um anúncios do Booking.com em quatorze assentamentos em dois clusters da Cisjordânia, incluindo áreas ao redor de Jerusalém.
- A matéria cita questões legais, como violações da quarta convenção de Genebra e do Estatuto de Roma, além de uma queixa na Holanda sobre possível lavagem de dinheiro ligada às reservas.
- A Booking.com afirmou que não decide onde as pessoas podem viajar e que acompanha a situação, aplicando suas políticas em áreas afetadas por conflitos.
It’s like stealing: uma família palestina vê imóveis associadas a assentamentos ocupados listados no Booking.com. Um chalé em Neve Daniel, no lado sul de Bethlehem, está entre 41 anúncios em 14 assentamentos na Cisjordânia ocupada.
O site descreve o imóvel como espaço para relaxar no jardim e na varanda, com área de piquenique, dito ideal para encontros ao ar livre. A localização fica na área de Neve Daniel, onde a família Sbeih já cultivou terra há décadas.
Um relatório da Ekō, organização de advocacy, identifica as listagens em duas grandes áreas: vale do Jordão e arredores de East Jerusalem. A geolocalização do imóvel coincide com a antiga lavoura da família Sbeih.
As informações apontam que o uso de imóveis ligados a assentamentos é incompatível com leis internacionais, segundo o relatório. O estudo também cita possível enquadramento de atividades no Booking.com como lavagem de dinheiro sob leis holandesas.
A Booking.com, sediada na Holanda, enfrenta uma queixa que está sob avaliação de autoridades locais. O foco é a possível conexão financeira entre reservas e assentamentos considerados ilegais pela comunidade internacional.
O ICJ, em 2004, afirmou a ilicitude dos assentamentos em território palestino ocupado, exigindo não reconhecimento de sua legalidade. Países signatários de convenções como Geneva não reconhecem a soberania sobre esses territórios.
A Ekō argumenta que cada dia sem ação reforça impactos de direitos humanos vinculados a listar propriedades em assentamentos. A empresa afirma monitorar a situação e aplicar seus princípios de direitos humanos conforme necessário.
A reportagem também aponta que o Booking.com havia introduzido um aviso sobre áreas em conflito em 2022, mas apenas em buscas pelo nome do assentamento. Patrocinadores de direitos humanos acompanham o caso no âmbito internacional.
Mohammad al-Sbeih, cuja terra foi tomada em 1982, relata perdas legais contínuas. Ele descreve documentos apresentados e a ausência de contraprovas por parte da outra versão no processo judicial. A área foi integrada ao assentamento de Neve Daniel.
O relato associa a desapropriação ao argumento de segurança nacional e menciona dificuldades de acesso à área, especialmente desde o início da ofensiva em Gaza em 2023. O caso continua sem previsão de resolução.
Sbeih expressa frustração ao saber da listagem no Booking.com, dizendo que o território era destinado aos filhos e netos. Ele compara o impacto de perdas comerciais a uma violência econômica, sem desejar colocar a empresa como culpada sem provas.
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