- Militantes ultradireita promovem uma marcha em Jerusalém, em meio a tensões relacionadas à expansão israelense na região.
- Pacifistas mobilizam dois centenas de voluntários, totalizando 300, para conter episódios de violência durante a caminhada nacionalista.
- Comerciantes palestinos fecham lojas antecipando insultos racistas e atos de vandalismo durante o evento.
- Relatório da organização de direitos humanos Ir Amim mostra avanços de projetos, como o E1, que visam ligar colônias a Jerusalém e ampliar o controle sobre a área.
- O isolamento das vilas palestinas se intensifica com novas barreiras metálicas, dificultando o acesso entre comunidades próximas a Jerusalém.
Nos últimos anos, Israel tem promovido mudanças no entorno de Jerusalém, com áreas de expansão que ampliam o controle sobre a região. Militantes de direita defendem a continuidade territorial entre colonias e a capital, em especial por meio do projeto E1, que busca ligar áreas coloniais a Jerusalém. O governo, liderado pelo primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, sustenta estratégias de reorganização territorial na área metropolitana.
Relatórios de organizações de direitos humanos indicam que a reconfiguração envolve várias frentes, inclusive a Área C, sob controle direto israelense, e impactos sobre comunidades palestinas próximas a Belém. Pesquisadores apontam etapas que facilitam a consolidação de colonatos, como novas construções, ampliação de assentamentos existentes e infraestrutura associada.
Contexto territorial
A divisão territorial definida pelos Acordos de Oslo permanece como referência para entender os conflitos. Em zonas próximas, palestinos convivem com colonos israelenses, enquanto o desenho político envolve disputas sobre o uso do solo e acesso às vias.
A pesquisa de Ir Amim aponta surgimento de novas colônias ao redor de Jerusalém, entre elas Mishmar Yehuda e Yatziv, sugerindo um plano gradual de secar a Zona C e deslocar moradores palestinos, segundo a organização. Arquitetos do plano citam expansão de infraestrutura como componente central.
Ação no terreno
Em Battir, aldeia palestina próxima a Jerusalém, moradores relatam pressão constante sobre o território. Descrições indicam demolimento de casas em Al-Khader e Al-Walaja, com alegação de falta de licenças administrativas, segundo relatos locais. Tais ações refletem um contexto de isolamento de vilarejos dentro de uma rede de barreiras físicas.
Dezesseis barreiras metálicas amarelas bloqueiam rotas que ligam cidades palestinas próximas a Jerusalém, segundo relatos de pesquisadores. Acesso a vilas pode ficar restrito rapidamente, o que, segundo analistas, pode permitir bloqueios prolongados por parte das forças de segurança.
Acionamento de milícias pacíficas
Sob sol forte, na Porta de Damasco, dezenas de militantes vestidos de branco buscaram oferecer flores aos pedestres, numa tentativa de demonstrar solidariedade com a população local. Entre os presentes, um voluntário queVia do centro do país declarou buscar igualdade de direitos para palestinos e israelenses.
Na Cidade Velha de Jerusalém, comerciantes fecharam portas para evitar danos durante a passagem de atos vinculados a uma marcha nacionalista. O evento tradicionalmente envolve participação de dezenas de milhares, com episódios de incidentes e confrontos ao longo do percurso.
Para reduzir tensões, o movimento Standing Together mobilizou cerca de 300 voluntários com o objetivo de atuar como presença protetora e diminuir confrontos entre grupos extremistas e moradores palestinos, segundo a codiretora Rula Daoud. As ações ocorreram sob rígida vigilância policial, com a participação de diversos públicos durante a marcha que se iniciou pela Porta de Damasco ao meio‑dia.
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