- Xi Jinping pode usar a influência da China sobre o Irã como carta para pressionar os EUA, incluindo questões ligadas a Taiwan.
- Pequim busca manter o Estreito de Ormuz aberto, oferecendo incentivos a Teerã, como empréstimos, investimentos e ajuda na reconstrução pós-guerra.
- Nos EUA, Trump sinaliza discutir armas para Taiwan; o governo adiou anúncio de pacote de armas para evitar irritar Xi.
- Analistas veem a guerra no Irã expondo fraquezas dos EUA, o que aumenta a confiança da China para exigir maior igualdade geopolítica.
- A China pretende redefinir a relação com os Estados Unidos, buscando garantias de não bloqueio de passagem no estreito e de apoio americano a Taiwan, conforme debate na pauta entre as grandes potências.
Xi Jinping não precisará de um acordo imediato com Donald Trump para avançar seus objetivos, segundo análise publicada nesta semana. Pequim pode usar a influência econômica sobre Teerã como moeda de troca para obter concessões dos Estados Unidos, principalmente em relação a Taiwan.
A ideia central é que a China pressiona para que Washington afrouxe o apoio a Taiwan e, ao mesmo tempo, busca manter o estreito de Ormuz aberto para o fluxo de petróleo. A guerra no Irã aparece como uma oportunidade para reforçar esse desenho, sem envolvimento militar direto de Pequim.
A China teria interesse em obter garantias de que os EUA não bloqueiem rotas comerciais estratégicas e que haja reciprocidade de tratamento em temas de geopolítica. Analistas destacam que a relação com o Irã pode render empréstimos, investimentos e ajuda na reconstrução.
A influência útil
Pequim encara a estratégia iraniana como alinhada aos seus próprios interesses econômicos, já que a energia impacta diretamente as exportações chinesas. Embora poderosa, a reserva de petróleo estratégica da China não é inesgotável, o que reforça a busca por estabilidade no comércio global.
Mesmo sem entrar em conflito, a China pode cooperar com os EUA na abertura do Estreito de Ormuz, rota que atende até 40% das importações chinesas de petróleo, segundo especialistas.
Discurso e Taiwan
Para Xi, o objetivo também envolve flexibilizar o apoio americano à ilha. Um possível avanço seria redução de venda de armas ou declaração de oposição à independência de Taiwan. O governo de Trump adiou, recentemente, um pacote de 13 bilhões de dólares em armas para Taiwan para evitar atrito com Pequim.
Se Trump discutir armas para Taiwan, pode desafiar as Seis Garantias, pilar histórico da política EUA-Taiwan. Tal movimento seria visto como uma mudança significativa de paradigma na relação com a China.
Entre analistas chineses, a fragilidade militar dos EUA durante a crise iraniana é apontada como motivo para a China ganhar mais espaço para pressionar sobre Taiwan. O conflito forçou os EUA a desviar recursos da Ásia e a reduzir estoques de munição.
Redefinindo a relação
Especialistas indicam que a cúpula sino-americana pode buscar redefinir regras de convivência entre as duas potências. Xi espera confirmar que a China tem igual peso geopolítico ao dos EUA, o que representa uma mudança simbólica desde 2012.
Editorial oficial criticou Washington por exigir apego a interesses norte-americanos sem considerar impactos à China, ressaltando a necessidade de uma convivência entre grandes potências sem privilégios de um lado.
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