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Agência de saúde confirma novo surto de Ebola no Congo com 65 mortes suspeitas

Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças confirma surto de ebola em Ituri, Congo, com 65 mortes suspeitas e quatro confirmadas; variante não é Zaire

Um profissional de saúde borrifa desinfetante em um colega após trabalhar em um centro de tratamento de Ebola em Beni, no leste da República Democrática do Congo, em 9 de setembro de 2018
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  • Surto de Ebola foi confirmado na província de Ituri, na República Democrática do Congo, com 65 mortes entre 246 casos suspeitos até o momento.
  • Quatro mortes causadas pelo vírus foram confirmadas em laboratório; o total de casos confirmados chega a 13.
  • O Africa CDC convocou reunião de emergência com Congo, Uganda, Sudão do Sul e parceiros internacionais para fortalecer vigilância, preparação e resposta.
  • As mortes e casos suspeitos ocorreram principalmente nas zonas de Mongwalu e Rwampara, com Bunia registrando casos suspeitos.
  • A suspeita é de uma variante diferente da cepa Zaire; a OMS está acompanhando e já liberou recursos para apoio à resposta.

A agência africana de saúde pública confirmou um surto de Ebola na província de Ituri, na República Democrática do Congo. Até agora são 246 casos suspeitos e 65 mortes registradas, com quatro óbitos já confirmados em laboratório. A confirmação ocorreu nesta sexta-feira.

O Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças informou que convocou reunião de emergência com Congo, Uganda, Sudão do Sul e parceiros internacionais. O objetivo é reforçar vigilância transfronteiriça, preparação e resposta rápida.

As mortes e casos suspeitos concentram-se especialmente nas áreas de Mongwalu e Rwampara. Casos também foram notificados em Bunia, capital da província, onde a mobilidade humana é intensa.

Analises iniciais sugerem a presença de uma variante diferente da cepa Zaire, enquanto o sequenciamento genético segue para caracterização detalhada.

O virologista congolês Jean-Jacques Muyembe afirmou que, nos 16 surtos anteriores no país, todos, com exceção de um, foram provocados pela cepa Zaire. A identificação de uma variante distinta pode dificultar a resposta.

O Africa CDC teme disseminação maior devido ao contexto urbano de Bunia e Rwampara, à movimentação populacional e à mineração próxima às fronteiras com Uganda e Sudão do Sul. Coordenar ações na região é considerado essencial.

A OMS teve conhecimento dos casos suspeitos em 5 de maio e enviou equipe à Ituri para investigação. Amostras iniciais testaram negativo, segundo Tedros Adhanom Ghebreyesus, em coletiva. Casos positivos já somam 13.

Um laboratório em Kinshasa confirmou casos positivos na quinta-feira. O total de infecções confirmadas chegou a 13, informou Tedros.

A OMS acionou o fundo de contingência para emergências, liberando US$ 500 mil para apoiar vigilância, rastreamento de contatos, testes e atendimento clínico.

Ituri sob impacto de violência e crise humanitária

O surto acontece em meio a confrontos entre milícias na região, que deixaram dezenas de civis mortos nas últimas semanas. A violência agrava a sobrecarga de unidades de saúde locais.

A situação humanitária crítica eleva o risco de novos surtos, conforme a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF). A entidade informou condições sanitárias catastróficas em áreas de deslocados, elevando vulnerabilidade.

Contexto histórico do Ebola no Congo

Este é o 17º surto de Ebola no Congo desde 1976. O surto anterior, em Kasai, foi declarado encerrado em 1º de dezembro, após três meses, com 64 casos, 45 óbitos e 19 recuperações.

A doença é grave e pode ser fatal; transmite-se por contato direto com fluidos de pessoas infectadas, materiais contaminados ou objetos usados por ébola, conforme o Africa CDC.

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