- O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que o Irã não confia nos EUA e só negocia se Washington falar sério, em Nova Délhi durante reunião dos chanceleres do Brics.
- Araghchi disse que, no Estreito de Ormuz, todas as embarcações podem passar, exceto as em guerra com Teerã; navios devem coordenar a passagem com a Marinha iraniana.
- A situação no estreito está “muito complicada” e o Irã fechou efetivamente a passagem para a maior parte do tráfego desde o início da guerra com Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro.
- As negociações para encerrar o conflito, mediadas pelo Paquistão, estão suspensas; existem mensagens contraditórias entre EUA e Irã sobre intenções e continuidade das conversas.
- Araghchi afirmou que o Irã quer manter o cessar-fogo, mas está preparado para voltar aos conflitos; Trump disse que a paciência com o Irã está se esgotando e houve apoio parcial de China para ampliar as negociações.
O chanceler iraniano Abbas Araghchi afirmou que Teerã não confia nos Estados Unidos e só negocia com Washington se houver séria disposição por parte de Washington. As declarações foram dadas em Nova Délhi, durante reunião de chanceleres do Brics, poucas horas após as falas de Donald Trump sobre a paciência com o Irã.
Araghchi disse que, no momento, todas as embarcações podem atravessar o Estreito de Ormuz, exceto aquelas em guerra com o Irã. A passagem deve ser coordenada com a Marinha iraniana, e a situação na hidrovia foi descrita como muito complicada.
O Irã fechou o estreito para grande parte do tráfego desde o início da escalada com os Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro. Caminhos de abastecimento de petróleo e gás ficaram compromettedidos, impactando o comércio global.
Apesar de Washington e Teerã terem anunciado um cessar-fogo no mês passado, as negociações para um acordo de paz permanente permanecem suspensas. As negociações, mediadas pelo Paquistão, enfrentam dificuldades após propostas rejeitadas por ambos os lados na semana anterior.
Araghchi destacou que mensagens contraditórias deixaram o Irã relutante quanto às intenções dos EUA. O chanceler mencionou que o processo de mediação paquistanês não fracassou, mas vive dificuldades, e mantém a posição de preservar o cessar-fogo para abrir espaço à diplomacia.
O chanceler iraniano afirmou ainda que o Irã está preparado para retomar as hostilidades apenas se as negociações não avançarem de forma séria. O objetivo é manter a pressão diplomática sem abandonar a possibilidade de retorno às ações militares.
Entre os temas que travam as negociações estão as ambições nucleares do Irã e o controle de Ormuz. Araghchi afirmou que, mesmo com as dificuldades, o Irã busca manter a diplomacia para encontrar uma saída pacífica.
As declarações ocorreram após Trump dizer, durante encontro com Xi Jinping em Pequim, que a paciência com o Irã se esgota e que Teerã deveria reabrir o estreito. O presidente chinês não comentou as discussões com Trump, mas o Ministério das Relações Exteriores da China externalizou frustração com a guerra.
Em postagem na rede social X, Araghchi afirmou que a resistência do Irã contra a intimidação dos EUA não é nova e que muitos membros do Brics enfrentam pressões semelhantes. Ele pediu cooperação para que haja uma resposta conjunta.
Trump deixou a China na manhã desta sexta-feira, repetindo que Xi concordou com a necessidade de evitar que o Irã tenha armas nucleares. O assunto foi acompanhado com declarações diplomáticas da China, que ressaltaram que o conflito não deveria ter ocorrido e não tem justificativa para continuar.
Entre na conversa da comunidade