- Joanna Maranhão, ex-nadadora olímpica brasileira, mora em Potsdam, na Alemanha, com o marido e o filho Caetano, de seis anos.
- No último fim de semana, Caetano ficou assustado ao ouvir que os pais dele seriam deportados, após um colega ameaçar chamar a polícia para esse fim.
- A escola prometeu abordar o tema com os alunos e reforçar políticas antirracistas; o pai do aluno que fez a ofensa é apontado como apoiador do partido AfD, de linha anti-imigração.
- A família comenta que a mãe ajudou Caetano a levar bolinhos para toda a sala, inclusive para o colega envolvido, e a escola foi vista como espaço para evitar o ódio entre as crianças.
- O episódio é visto como xenofobia e racismo, em contextos de intercâmbio entre culturas; a própria Joanna já relembra experiências anteriores de preconceito enfrentadas pela família.
Joanna Maranhão, ex-nadadora olímpica, relata um caso de xenofobia envolvendo o filho, Caetano, de seis anos, em Potsdam, leste da Alemanha. Mora com o marido Luciano Corrêa, ex-jogador de jiu-jitsu, há cerca de três anos e meio.
No fim de semana, Caetano teve de ouvir que poderia ser separado da família caso a polícia deportasse os pais da Alemanha. A criança ficou assustada ao imaginar a própria separação, diante de uma ameaça feita por um colega de escola.
A escola prometeu tratar o tema com os alunos e reforçar políticas antirracistas. A professora indicou que o pai do aluno que fez a ofensa apoia um partido de direita com postura anti-imigração. Joanna ajudou Caetano a distribuir bolinhos aos colegas para amenizar a situação.
Contexto da situação na escola
A nadadora afirmou à BBC News que o ambiente escolar pode ser decisivo para impedir que crianças internalizem preconceitos. Contudo, ela continua preocupada com as interações entre Caetano e a criança alemã envolvida no episódio.
Joanna destaca que o episódio envolve xenofobia e racismo, já que o pai de origem negra do marido e a mãe parda dela diferem do fenótipo considerado típico no local. O caso não é inédito para a família: Luciano já relatou episódios de racismo na Alemanha e na Bélgica, onde moravam antes.
Trajetória e ativismo de Joanna Maranhão
Joanna Maranhão é uma das maiores figuras da natação brasileira, com participação em quatro Olimpíadas. Seu destaque em Atenas 2004 marcou o início de uma carreira vitoriosa, com recordes e medalhas ao longo das décadas.
Além do esporte, a ex-atleta atua como porta-voz de direitos humanos. Em 2008 revelou ter sido vítima de abuso na infância, o que motivou sua defesa contra violência sexual. Sua atuação levou à criação de leis de proteção a menores, incluindo a chamada Lei Joanna Maranhão. Hoje, integra a Sport & Rights Alliance, organização voltada a direitos humanos no esporte.
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